Foto: Julia Lanari / Acervo Belotur
Carnaval de BH - Kandandu

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Certas palavras carregam simbolismos que passam de geração em geração, atravessam culturas e reverberam de diferentes maneiras. Esse é o caso da expressão “kandandu”, originária da língua africana kimbundu, que remete ao significado da palavra “abraço”.

Mas não é qualquer abraço. Trata-se de um encontro espiritual e fraterno, que representa a união em torno de filosofias, ideais, conhecimentos e vivências em torno da ancestralidade africana. 

No Carnaval de Belo Horizonte, o termo ganha mais um sentido. Kandandu é o nome dado ao encontro de blocos afro realizado na Praça da Estação, idealizado pela Associação de Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro-MG) e viabilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur e com apoio da Fundação Municipal de Cultura. 

O Carnaval é inseparavelmente ligado à cultura negra e esse encontro, que simboliza a abertura da folia na capital mineira, foi reconhecido pelo Ministério dos Direitos Humanos, em 2018, como uma das principais ações de promoção da igualdade racial do país. Os blocos afro realizam, durante todo ano, trabalhos socioculturais, tornando-se polos de promoção, manutenção e compartilhamento de cultura afro-brasileira, por meio de suas práticas e projetos.

Em 2020, a quarta edição do Kandandu fará uma homenagem aos 20 anos do Bloco Oficina Tambolelê. 

Abertura Oficial do Carnaval
Kandandu – Homenagem aos 20 anos do Bloco Oficina Tambolelê
Praça da Estação
Entrada gratuita

Sexta-feira 21/02

18h a 1h

Bloco Oficina Tambolelê

Fala Tambor

Bloco Afro Magia Negra

Angola Janga

Timbaleiros do Ghetto

Sábado 22/02

16h às 22h

Kizomba

Afrodum

Afoxé Bandarerê

Samba da Meia Noite

Swing Safado

Saiba um pouco mais sobre cada bloco participante da edição 2020 do Kandandu:

Tambolelê, o homenageado

Carnaval de BH_Kandandu_Tambolelê

O Bloco Oficina Tambolelê foi criado no final dos anos 1990 pelos integrantes do grupo musical Tambolelê, no bairro Novo Glória, Região Noroeste de Belo Horizonte. Com a proposta de valorizar a riqueza de ritmos afro-mineiros e a tradição do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, o grupo incorporou percussão e outras atividades para oferecer a crianças e jovens um espaço de inclusão social pela arte. 

Patrimônio imaterial

Carnaval de BH Kandandu Bloco Fala Tambor

O Bloco Fala Tambor foi o primeiro movimento cultural tombado como bem cultural imaterial afro-brasileiro de Belo Horizonte, de acordo com o “Inventário Tradições Brasileiras”, realizado pela Fundação Municipal de Cultura. O bloco carnavalesco oferece aulas de percussão, dança e canto de forma gratuita e é considerado 1º Grupo de Samba de Roda Afro Minas Gerais, com trabalho autoral e foco na sensibilização das pessoas para a criação de ritmos, canto e dança. 

Valores da cultura 

Magia Negra
Foto: Júlia Lanari

O Bloco Afro Magia Negra tem o objetivo de reverenciar os valores da cultura afro e a imensa contribuição do povo negro na formação e construção do Brasil. Os integrantes do bloco participam também da Banda Magia Negra e da Banda de Rua Babadan, utilizando dança, cantos, tambores, instrumentos de sopro e outras expressões artísticas para promover um carnaval educativo que vai além do entretenimento. 

Conexão afro

Foto: Júlia Lanari

O Bloco Afro Angola Janga dedica-se ao empoderamento e à emancipação do povo negro, por meio de suas práticas e repertórios. Com uma levada que vai do “Axé” ao Funk, ganhou reconhecimento de blocos baianos, com destaque para o Ilê Aiyê (1º bloco afro do mundo), que identificou o grupo belo-horizontino como um dos “filhos” mais novos em 2017. Angola Janga, ou “Pequena Angola”, era o nome dado ao Quilombo de Palmares por seus moradores.

Timbaleiros 

Foto: Carlyle Ramos

Uma conversa animada, em meio a uma roda de samba salpicada de atitude, deram o pontapé para o Grupo Afro Cultural Timbaleiros do Ghetto. Na época, em 2017, os fundadores concentraram  suas ações no bairro Primeiro de Maio, região Norte de Belo Horizonte. Entre as principais referências do grupo estão Olodum, Timbalada e Sandra de Sá, que se reúnem em um ritmo contagiante.

Resistência quilombola

Kizomba é um termo de origem bantu que significa “festa do povo que resistiu à escravidão”. O projeto está ligado à comunidade quilombola Manzo Ngunzo Kaiango, no bairro Santa Efigênia, Regional Centro-Sul de Belo Horizonte, e configura uma iniciativa sociocultural de valorização e promoção da cultura afro-brasileira. Oferece oficinas e vivências de capoeira, samba de roda, dança afro e percussão para crianças e adolescentes do quilombo e bairros vizinhos.

Identidade negra

Foto: Júlia Lanari

O Afrodum é o bloco de carnaval da Associação Cultural Odum Orixás, formado com o objetivo de estabelecer novos canais para a expressão e fortalecimento da história cultura negra e contribuir para a ampliação do debate sobre a questão étnica. O repertório transita por diversas referências da música afro-brasileira e ritmos como Ijexá, Moçambique, Arramunha, Ilú, Agueré e Congo.

Pedaço bom

O Afoxé Bandarerê nasceu com o objetivo de abraçar a comunidade afro-cultural e tomar as ruas com a alegria dos terreiros, com um projeto que visa não só a divulgação e valorização da cultura negra, mas também a quebra de preconceitos e a maior integração entre os membros de religiões de matriz africana. O nome Bandarerê remete a Belo Horizonte como “pedaço bom”. 

Sambadeiros na roda

O Samba da Meia-Noite é uma família de sambadores e sambadeiras que traz vivências ancestrais de uma cultura singular, com origem no Recôncavo Baiano. Através da oralidade multirregional tipicamente brasileira, e da origem do samba de roda — voz, corpo e tambor — o grupo expressa essa herança com um tempero mineiro, como as cantorias de beira-rio (as chulas e os benditos) entoadas na região do Jequitinhonha.

Diversão com swing

Foto: Júlia Lanari

O Bloco Swing Safado vem das ladeiras da comunidade do Conjunto Santa Maria, um bairro que conta com a história viva e presente do samba e do Grêmio Recreativo Escola de Samba Cidade Jardim. O nome do bloco tem origem na valorização da ginga natural da herança ancestral africana, combinando a descontração carnavalesca com as letras de duplo sentido tão presentes na música popular.