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Espetáculo: Esquina Esta | Teatro João Ceschiatti

Descrição

O impacto da pandemia na vida cotidiana ainda traz consequências aos planejamentos e sonhos projetados antes da Covid-19. Os alunos e alunas do Cefart também não passaram incólumes ao período de distanciamento social imposto pela alta circulação do vírus.

As turmas da Escola de Teatro, que teriam as formaturas realizadas em dezembro de 2021, encerram agora o ciclo de aprendizado e levam ao público o espetáculo “Esquina Esta”, da turma da manhã, coloca no centro da discussão o feminino e a relação desses corpos com o mundo que os cercam. Com sessões gratuitas, as apresentações acontecem a partir do dia 4 de agosto. Esquina Esta - Uma alegoria sobre o feminino.

“Um felino está solto na cidade”. A partir dessa alegoria, Amora Tito, Brisa Marques e Juliana Saúde começaram a pensar e a estruturar a dramaturgia do espetáculo “Esquina Esta”. O texto busca refletir sobre a feminilidade a partir de diferentes espaços. Além disso, tensiona os diversos olhares, de dentro e de fora, sobre o tema na sociedade contemporânea.

O espetáculo de formatura da turma da manhã da Escola de Teatro do Cefart, que conta apenas com pessoas que transitam pela feminilidade, tanto no corpo técnico quanto no elenco, pode ser conferido gratuitamente a partir do dia 4 de agosto, no Teatro João Ceschiatti. Ao todo 10 atrizes formandas participam da peça.

À princípio, o trabalho seria concebido em três obras que não se comunicariam de forma direta. Mas, ao longo do processo de formatação, Ana Hadad e Raquel Pedras, diretoras da peça, perceberam semelhanças nos enredos e propuseram interligar os conteúdos para conceber uma história em três atos, que também podem ser sentidas e experienciadas de maneira autônomas.

“A ideia era de que as dramaturgias fossem pensadas de forma separada, em blocos, como textos independentes. Seriam três contos, três histórias dentro do mesmo espetáculo. Depois de lermos os textos, percebemos uma linearidade no desenvolvimento da ação, ainda que as dramaturgias sejam distintas em termos de estética, poética e de atuação”, pontua Ana, que também é professora da Escola de Teatro do Cefart.

A dramaturgia da Juliana Saúde abre os trabalhos de “Esquina Esta”. O texto reflete sobre o feminino no espaço do lar, dentro de casa, dentro da rotina. A dramaturga propõe uma visão para os processos que ocorrem internamente cercado pelo ambiente íntimo da própria morada, que se rompe na violência do despejo, da perda da residência. O fim do ato é cercado pelo início do contexto proposto por Amora Tito, em que a feminilidade está exposta na rua, enfrentando os olhares externos ao corpo e ao próprio comportamento como sujeição e também como potência da ação que se constrói a partir do outro e do autoconhecimento. Amora propõe o diálogo dos corpos femininos com a cidade que os circundam.

O último bloco, estruturado por Brisa Marques, encena de forma ritualística a relação da mulher com o lugar que a cerca. O ato permite a improvisação das atrizes e aponta para uma nova história social que possa ser reconstituída por meio da feminilidade, sem as regras e a sujeição ao patriarcado.

A encenação explicita o risco, o corpo mais vulnerável, indomado, mais fácil de ser objetificado, mas também incorpora a potência e a urgência de se estabelecer um novo modo de se viver e se existir na sociedade contemporânea. As alunas também contribuíram com o texto do espetáculo, motivando-as não só a atuarem, mas incorporarem mais de si à peça como um todo.

“É minha primeira montagem. Estou descobrindo muito sobre o fazer artístico do teatro e todo o processo que o envolve. O feminino me interessa muito, me interessa muito falar sobre esse corpo, que é político, ainda mais num palco.

No coletivo estabelecemos uma situação de equidade, de uma escuta muito grande. Isso desafia e motiva”, conta Carmem Marosa, aluna da Escola de Teatro do Cefart, violinista e trancista. Lugar de cruzamentos, encruzilhadas, de possiblidades que se abrem, de caminhos a serem percorridos. Essas são algumas das significações postuladas por Ana Hadad para o nome “Esquina Esta”.

“São três dramaturgias potentes, além da própria dramaturgia da encenação em si, com linguagens e estéticas múltiplas para compor a discussão do feminino a partir da alegoria do felino, do feminino à solta na cidade. São textos que se abrem para uma outra forma de enxergar o corpo feminino no cotidiano individual e coletivo ”, explica a diretora.

Entrada Gratuita - Ingressos devem ser retirados 1h antes do evento na bilheteria do Palácio das Artes 

Localização
Palácio das Artes | Teatro João Ceschiatti - Av. Afonso Pena, 1537 - Centro.
Centro-Sul
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Entrada
Gratuito