Dia Mundial do Turismo: um olhar para o caminho que Belo Horizonte vem construindo
Todos os anos, o dia 27 de setembro convida cidades e destinos do mundo inteiro a olhar para o turismo. Em Belo Horizonte, a data também é uma oportunidade para olhar para dentro.
Para o que foi construído, para os caminhos que se abriram e para uma atividade que, cada vez mais, ocupa um lugar estratégico no desenvolvimento da cidade.
Porque falar de turismo não é falar apenas de quem chega a Belo Horizonte. É falar também de quem vive aqui, trabalha aqui, empreende, produz cultura, cozinha, recebe, cria experiências e ajuda, todos os dias, a construir aquilo que faz BH ser BH.
Nos últimos anos, esse entendimento tem orientado uma série de políticas, projetos e ações da Belotur. Algumas aparecem para a cidade em grandes eventos. Outras acontecem longe dos palcos, na estruturação de produtos turísticos, na produção de dados, na qualificação de experiências, na promoção do destino, no diálogo com o setor e na construção de estratégias capazes de preparar Belo Horizonte para o futuro.
Neste Dia Mundial do Turismo, mais do que celebrar, vale olhar para esse percurso.
Turismo como política pública e estratégia de cidade
Uma cidade não se torna um destino turístico apenas porque tem bons lugares para visitar. É preciso transformar seus atributos em experiências, conectá-los aos territórios, estruturar a oferta, comunicar o destino e criar condições para que o turismo gere oportunidades.
É esse trabalho que acontece antes mesmo de o visitante chegar.
Em Belo Horizonte, a gastronomia se consolidou como um dos principais caminhos dessa estratégia. O reconhecimento como Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO ajudou a projetar internacionalmente uma característica que sempre esteve presente na identidade da capital: a relação construída em torno da mesa, dos mercados, dos bares, das receitas e dos modos de fazer.
A partir daí, vieram novas camadas.
O Bares com Alma lançou um olhar para estabelecimentos que carregam parte da memória gastronômica de BH. O Menuuh! Experiências Turísticas aproximou moradores e visitantes de experiências espalhadas por diferentes territórios da cidade. A Bienal da Gastronomia ampliou as conexões entre cultura alimentar, conhecimento, negócios e criatividade.
Os mercados também passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante nessa construção. Mercado Central, Mercado Novo, Edifício Central, Galeria São Vicente e outros espaços ajudam a mostrar que a experiência turística de Belo Horizonte nasce justamente do encontro entre tradição e transformação.
E levar esses ativos para outros mercados, feiras e eventos pelo país também faz parte dessa política. Promover Belo Horizonte significa disputar a atenção do visitante, ampliar o conhecimento sobre a cidade e criar novas oportunidades para toda uma cadeia que envolve hospedagem, alimentação, transporte, comércio, cultura, eventos e serviços.
Uma cidade que também se prepara para receber
Enquanto a promoção leva Belo Horizonte para fora, existe outro movimento acontecendo aqui dentro.
Os city tours e walking tours gratuitos ampliam as possibilidades de conhecer a capital a partir de diferentes perspectivas. Museus, igrejas, Pampulha, Centro, mirantes, patrimônio, arquitetura e histórias da cidade se transformam em roteiros que aproximam moradores e visitantes de lugares que muitas vezes fazem parte da paisagem cotidiana, mas ainda guardam muito a ser descoberto.
Os Centros de Atendimento ao Turista cumprem outro papel importante nessa experiência. São portas de entrada para uma cidade que precisa estar preparada não apenas para atrair visitantes, mas também para acolhê-los, orientá-los e ajudá-los a encontrar diferentes formas de viver Belo Horizonte.
Esse trabalho passa ainda por pesquisa, inteligência turística, inovação, diálogo com o trade e governança.
O Conselho Municipal de Turismo é parte dessa construção coletiva. A aproximação com diferentes atores do setor, incluindo equipamentos, entidades, empreendedores e parceiros estratégicos, amplia a capacidade de compreender desafios e construir respostas para um turismo que não cabe dentro de uma única instituição.
O mesmo vale para a conectividade. Uma cidade mais conectada amplia suas possibilidades de receber visitantes, alcançar novos mercados e fortalecer sua posição como destino.
E há também um olhar crescente para a sustentabilidade. A incorporação de diretrizes ambientais, sociais e de governança aos grandes eventos e às políticas de turismo coloca novos desafios sobre a mesa: não basta realizar, promover ou atrair. É preciso pensar nos impactos e nos legados que essas ações deixam para Belo Horizonte.
Quando o turismo movimenta a cidade
Poucas coisas tornam essa dimensão tão visível quanto os grandes eventos.
Carnaval e Arraial de Belô são celebrações que ocupam as ruas, movimentam milhões de pessoas e projetam Belo Horizonte. Mas o impacto começa muito antes da festa.

Quando o poder público antecipa investimentos, estrutura editais e cria condições para que blocos, quadrilhas e outros agentes culturais se organizem, uma cadeia inteira começa a trabalhar. São músicos, produtores, técnicos, costureiras, fornecedores, profissionais de segurança, alimentação, transporte, comunicação e tantos outros envolvidos direta ou indiretamente.
É também por isso que olhar para esses eventos apenas pelo número de pessoas presentes conta somente uma parte da história.
Turismo movimenta economia, mas também movimenta territórios. Preserva memórias, fortalece identidades, cria conexões, estimula negócios e faz circular oportunidades.
Talvez seja esse um dos principais sentidos do Dia Mundial do Turismo para Belo Horizonte em 2026.
A data permite celebrar o quanto caminhamos, mas também lembrar que destinos não ficam prontos.
Eles são construídos continuamente.
A cada política pública, a cada experiência estruturada, a cada mercado valorizado, a cada conexão criada com outras cidades, a cada visitante recebido e a cada morador que passa a enxergar seu próprio território de outra maneira.
O turismo que queremos para Belo Horizonte nasce dessa construção.
Uma cidade que se promove para o mundo sem perder de vista quem vive nela. Que transforma sua identidade em experiência sem deixar de preservá-la. E que entende o turismo não como um fim, mas como uma ferramenta para gerar desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida.
Neste 27 de setembro, celebrar o turismo é também prestar contas desse caminho e continuar construindo o próximo.
