Mesa de Pão de Queijo
Foto: Bernardo Silva / Acervo Belotur

Pão de queijo: de Minas Gerais para o mundo, com parada obrigatória em Belo Horizonte - tradição, história e os melhores endereços

Tem cheiro que é quase endereço. Em Minas Gerais, poucas coisas dizem tanto sobre de onde viemos quanto o aroma de pão de queijo saindo do forno. Ele está no café da manhã, no lanche da tarde, na mesa posta para a visita e naquela pausa para um cafezinho no meio do dia. Simples, afetivo e cheio de história, o pão de queijo atravessou gerações e fronteiras sem perder o sotaque mineiro. 

E se existe uma boa desculpa para falar, e comer, pão de queijo, ela chega em 17 de agosto, Dia Nacional do Pão de Queijo.

Uma receita que nasceu da mistura de culturas

Não existe um registro único que determine exatamente quando surgiu o pão de queijo, mas sua história costuma ser associada às fazendas mineiras do século XVIII e ajuda a contar também um pouco da formação da própria cozinha brasileira.

A mandioca, alimento fundamental para os povos originários muito antes da chegada dos portugueses, deu origem a diferentes preparações e farinhas. Entre elas, o polvilho, ingrediente que se tornaria a base do pão de queijo.

Foto: A Pão de Queijaria / Divulgação
A Pão de Queijaria Divulgação

Na cozinha das fazendas mineiras, o polvilho ganhou espaço em um período em que a farinha de trigo era pouco disponível e, muitas vezes, de baixa qualidade. À massa foram incorporados ingredientes presentes no cotidiano rural, como ovos, leite, gordura e queijo.

E queijo em Minas nunca foi detalhe.

Com a força da produção leiteira nas fazendas, ele deu sabor e identidade à preparação que atravessaria gerações até se tornar um dos maiores símbolos da cozinha mineira.

Há também relatos de que as quitandeiras passaram a modelar as massas em pequenas porções antes de levá-las ao forno. Nasciam as bolinhas douradas, crocantes por fora e macias por dentro que se tornariam um dos maiores símbolos da gastronomia mineira.

Apesar de sua história remontar ao período colonial, o pão de queijo demorou a ultrapassar as fronteiras de Minas Gerais. Foi a partir da década de 1950, na segunda metade do século XX, que sua popularização ganhou força, impulsionada pela industrialização e pela disseminação de padarias e lanchonetes pelo país. Aos poucos, o quitute que fazia parte das mesas mineiras conquistou o Brasil.

Pão de queijo também é mineirice

Talvez parte do sucesso esteja justamente no fato de que pão de queijo nunca foi apenas uma receita.

Em Minas, ele faz parte de um jeito de receber.

É difícil imaginar uma mesa de café mineira sem uma travessa chegando quentinha, normalmente acompanhada de café passado na hora. Na casa da vó, na padaria da esquina, no mercado, no balcão de uma lanchonete do Centro ou naquele encontro em que alguém pergunta “aceita um cafezinho?” sabendo que provavelmente alguma coisa boa virá junto.

Essa relação com a mesa, a conversa e a hospitalidade ajuda a explicar por que o pão de queijo ocupa um lugar tão especial na cultura mineira. Ele carrega ingredientes, técnicas e saberes transmitidos entre gerações, mas também uma maneira muito nossa de transformar comida em encontro.

 

E cada mineiro provavelmente tem sua preferência: pequeno ou grande, mais crocante ou mais macio, puro ou recheado. Com requeijão, pernil, queijo, goiabada, doce de leite... As possibilidades são muitas e algumas combinações são praticamente uma declaração de mineirice.

De Minas Gerais para o mundo

Se a partir dos anos 1950 o pão de queijo conquistou o Brasil, décadas depois ele avançaria ainda mais fronteiras.

Durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, a gastronomia também entrou em campo como uma forma de apresentar a cultura brasileira aos visitantes estrangeiros. Produtos típicos ganharam projeção internacional e, entre eles, estava o pão de queijo.

Segundo artigo acadêmico citado pela National Geographic Brasil, o período foi marcado por um esforço de divulgação de produtos característicos da culinária nacional. O pão de queijo registrou aumento significativo de consumo no exterior e ampliou sua presença em outros mercados, passando a ser exportado para diferentes países, tanto congelado quanto na forma de massa pronta para o preparo.

Era a mineirice ganhando o mundo.

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A iguaria também passou a aparecer com frequência em rankings internacionais dedicados à gastronomia. O TasteAtlas, plataforma especializada em comidas e receitas tradicionais de diferentes países, já colocou o pão de queijo entre os destaques mundiais quando o assunto é café da manhã.

Para os mineiros, porém, talvez ranking nenhum seja necessário.

Por aqui, ele já ocupa o primeiro lugar há muito tempo.

E onde comer pão de queijo em Belo Horizonte?

Se o pão de queijo nasceu da tradição mineira, Belo Horizonte é um dos melhores lugares para experimentar essa história.

Dos cafés tradicionais do Centro aos mercados, padarias e casas especializadas, a cidade permite provar desde receitas clássicas até versões recheadas e releituras contemporâneas.

No coração da cidade, o Café Nice, no coração da Praça Sete, mantém uma receita de pão de queijo debaixo de 7 chaves que não compartilha com ninguém. No Mercado Central, o Comercial Sabiá serve uma combinação difícil de ser mais mineira: pão de queijo com pernil e queijo Canastra.

Também no Mercado Central, o Roça Capital leva um pouco do interior para o coração de BH. O armazém nasceu com a proposta de equilibrar a simplicidade da roça com a sofisticação da capital e os tradicionais pães de queijo recheados.

Já A Pão de Queijaria, com unidades em diferentes pontos de Belo Horizonte, parte de uma receita de família para explorar diferentes possibilidades do quitute, servido puro ou acompanhado de recheios doces e salgados.

São apenas alguns exemplos de uma cidade em que encontrar um bom pão de queijo pode fazer parte do próprio passeio.

E essa talvez seja uma das melhores maneiras de conhecer Belo Horizonte: pela mesa.

Clicando aqui, você encontra cafés, mercados, restaurantes e outros endereços para descobrir a gastronomia da cidade e escolher onde provar um pão de queijo ou vários.

Porque visitar Belo Horizonte e não comer pão de queijo até pode acontecer.

Mas convenhamos: não tem a menor graça.

Te encontro em BH!