Reunião pública inaugura ciclo de 30 anos do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte
O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN BH) deu início, em 9 de outubro de 2025, ao ciclo comemorativo de seus 30 anos com a realização da reunião pública – “O FAN que Propomos”, no Teatro Francisco Nunes, na capital mineira. O encontro reuniu artistas, agentes culturais, representantes de movimentos negros e público interessado para apresentar os princípios, conceitos e o formato da edição 2025/2026 do festival, inaugurando um processo público de escuta e construção coletiva.
A reunião foi realizada em parceria entre o Instituto Periférico e a Fundação Municipal de Cultura (FMC), e conduzida pela Comissão Artística do festival, composta por Fredda Amorim e Nath Sol, representantes da sociedade civil, e por Cátia Amaral e Álan Oziel, representantes da FMC.
Um festival em processo: escuta, participação e construção coletiva
Mais do que o lançamento de uma edição comemorativa, a reunião pública marcou o início de um processo ampliado de participação social, que se estenderá ao longo de 2025 e 2026. A proposta apresentada reafirma o FAN BH como um território vivo de articulação, reflexão e presença da arte negra na cidade, apostando na escuta ativa e na promoção de espaços de troca como princípios estruturantes.
Durante o encontro, foram compartilhadas as bases conceituais da edição de 30 anos, que se organiza a partir do conceito “espiralar”, entendido simultaneamente como eixo curatorial, político e metodológico. Inspirado em epistemologias negras e na compreensão do tempo como movimento contínuo — não linear — o festival propõe revisitar sua trajetória, ativar memórias e projetar futuros possíveis.
FAN Espiralar: cidade, memória e movimento
A edição 2025/2026 do FAN BH está estruturada em cinco atos que dialogam entre si e ampliam a presença do festival na cidade. Além da reunião pública (primeiro ato), o ciclo prevê a realização de mais quatro atos, quais sejam: FAN Rotas (novembro 2025); o terceiro ato, previsto para janeiro, destinado ao chamamento artístico, para inscriçòes das propostas; FAN Raízes, previsto para março de 2026 com ações descentralizadas em territórios afroculturais — como quilombos, terreiros, guardas de Congado, Reinado e Moçambique e comunidades tradicionais — e o momento de culminância de toda essa trajetória, denominado FAN Espiralar, que reunirá atividades como apresentações artísticas, a feira Ojá, FANZINHO, previsto para maio 2026.
Escuta ativa como fundamento
Após as apresentações, o público foi convidado a participar de uma sessão de escuta ativa, compartilhando reflexões, propostas e apontamentos sobre os caminhos do festival. As contribuições apresentadas durante o encontro passam a integrar o processo de construção da edição, reforçando o compromisso do FAN BH com metodologias participativas e com a produção cultural construída em diálogo com a cidade.
Como encaminhamento, foi anunciado o uso de um formulário on-line para ampliar a participação de quem não pôde estar presente e sistematizar as contribuições recebidas, garantindo a continuidade do processo de escuta iniciado na reunião pública.
Três décadas de história, reinvenção e continuidade
Ao completar 30 anos, o Festival de Arte Negra de Belo Horizonte reafirma seu papel histórico como um dos principais festivais dedicados às artes negras no país. A reunião pública do ato 1 inaugura esse ciclo comemorativo não apenas como celebração, mas como gesto de reinvenção, fortalecendo o FAN BH como espaço de encontro, construção coletiva e afirmação da cultura negra em suas múltiplas expressões.
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