Noturno Museus - 2022 - Museus

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  • Palestra: "Nos 75 anos de João Gilberto Noll", com Luís Alberto Brandão - AML
    Palestra: "Nos 75 anos de João Gilberto Noll", com Luís Alberto Brandão - AML
    Palestra: "Nos 75 anos de João Gilberto Noll", com Luís Alberto Brandão - AML

    Na entrevista o professor Luis Alberto Brandão, da UFMG, fala sobre os aspectos centrais da extensa obra literária (cerca de vinte livros) construída pelo escritor gaúcho João Gilberto Noll, que o professor considera um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea, ao lado de Sérgio Sant'Anna.

    Falecido em março de 2017, Noll completaria 75 anos em 2021.

    Brandão aborda a rigorosa e sofisticada construção de linguagem em João Gilberto Noll, assim como sua dimensão poética, relembrando, ainda, a importância dada por Noll ao ritmo do texto e à sua sonoridade.

    O professor também revela o processo de construção de personagens levado a cabo pelo autor, destacando o fato de sempre estarem em trânsito, muitas vezes sem destino e sem rumo, vagando pelos espaços urbanos, sobretudo em suas margens.

    A potência transgressora da literatura de Noll foi igualmente retratada, assim como as relações de suas criações literárias com a dimensão teatral e cênica.

    Outro ponto que ganha destaque na conversa é o livro Canção de amor para João Gilberto Noll, publicação em torno do legado do autor gaúcho.

    Na obra, além de textos de Brandão, também figuram as contribuições de autores como Ana Martins Marques, Eduardo de Jesus, Luci Collin, Francisco de Morais Mendes, Ricardo Aleixo, Bruna Kalil Otero e Zulmira Ribeiro Tavares.

    Todos registram, em seus escritos ou em fotos e outras imagens, suas impressões sobre o autor e as lembranças de suas relações com ele.

    A obra foi lançada pela Editora Relicário, em 2019, e foi a primeira grande homenagem póstuma a Noll.

  • Palestra: "Nos 85 Anos de Oswaldo França Junior", com a Professora Maria Angélica Lopes

    Na palestra, a professora emérita percorre a obra de Oswaldo França Júnior, tecendo uma análise detalhada sobre cada livro abordado em suas próprias publicações, apresentando os enredos, comentando as narrativas, situando os personagens, retomando os fatos e acentuando a relevância destes em cada momento da história do Brasil.

    Segundo Maria Angélica Lopes, Oswaldo França Júnior ajudou a renovar a ficção nacional a partir da novelística que constrói uma história não oficial do Brasil, mas nem por isso menos verdadeira.

    Testemunha de época tumultuada, foi um dos ficcionistas a ousarem denunciar a situação sociopolítica do país.

    De acordo com a professora, desde o primeiro romance, O Viúvo, as qualidades literárias saltam aos olhos do leitor, apesar dos fortes sentimentos que evoca. “O romance é realista, irônico e elegante.

    A simplicidade da narrativa a princípio engana, pois o autor deixa muito à sagacidade do leitor, a quem é dado encontrar em cada romance a chave do código hermenêutico descrito por Roland Barthes.

    Cada um dos doze livros apresenta notável continuidade e cada um deles oferece nova direção ao autor”, ressalta. Em Jorge, um Brasileiro, por exemplo, o protagonista é o chamado "homem do povo”, de classe baixa, cujo valor o autor reconheceu e ilustrou também em seus outros romances.

    Jorge, um Brasileiro recebeu o Prêmio Walmap 1967, cujos juízes eram os célebres Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antônio Olinto.

    O livro se tornou popular como filme e na televisão. De certo modo o romance indicou a descoberta de um novo herói, motorista e portanto operário.

  • Palestra: "Nos 90 anos de Wander Piroli", com Fabrício Marques - AML

    O ano de 2021 marca os 90 anos de nascimento de Wander Piroli e nada mais oportuno do que conhecer um pouco deste escritor admirável, também reconhecido por revolucionar a forma de contar histórias para crianças, especialmente com os livros "O menino e o pinto do menino (1975) e Os rios morrem de sede (1976).

    Além da carreira como escritor, Piroli também trabalhou entre as décadas de 1960 e 1980 no jornalismo mineiro, imprimindo forte marca autores nas diversas redações em que trabalhou, sobretudo como editor. Estreou em 1966 com o clássico "A mãe e o filho da mãe", admirado por escritores de várias gerações, de João Antônio e Roberto Drummond a Joca Terron e Marçal Aquino.

    Como jornalista, trabalhou n'O Binômio, Última Hora, O Sol, Estado de Minas, Jornal de Shopping, Jornal de Domingo e no Hoje em Dia. Na palestra, Fabrício Marques, autor da biografia "Wander Piroli: uma manada de búfalos dentro do peito" (2018), indicada ao Prêmio Jabuti, fala um pouco da importância de Piroli para a literatura brasileira, destacando especialmente a produção de "A mãe e o filho da mãe" - livro fundamental para entender a violenta sociedade brasileira - sem esquecer da sofisticada literatura infantil do autor.

    O palestrante ressalta, ainda, o quanto a trajetória de Wander Piroli é extremamente ligada a Belo Horizonte. “Ele é considerado um humanista radical, pela forma sempre afetuosa como trata seus personagens, a maioria de pessoas que vivem à margem da sociedade.

    A forma seca, áspera e ao mesmo tempo lírica de sua escrita faz com que muitos críticos o aproximem de Hemingway e Graciliano Ramos”, explica.