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  • Reestreia da peça solo: “Leve Cicatriz”, de Luciana Brandão
    Reestreia da peça solo: “Leve Cicatriz”, de Luciana Brandão
    Reestreia da peça solo: “Leve Cicatriz”, de Luciana Brandão

    Entre a mancha de sangue e a morte consumada, há uma história em aberto. Na famosa peça “Macbeth”, de Shakespeare, datada dos primeiros anos do século XVII, após inflamar o assassinato do rei da Escócia para se tornar rainha, a personagem principal se corrói de arrependimentos confusos e, de repente, some do enredo, reaparecendo no final da obra, em uma cena que induz o público a inferir um suicídio. Passados cerca de 400 anos do clássico shakespeariano, a atriz mineira Luciana Brandão questionou a realidade oculta da personagem Lady Macbeth, para além de uma morte motivada aparentemente pelo sentimento unilateral de culpa.

    Atrás de respostas e de outras chaves de leitura sobre as complexidades das violências contra a mulher, nasceu a peça “Leve Cicatriz”, um monólogo de Luciana Brandão que volta aos palcos de Belo Horizonte nos dias 16 e 17 de julho, sábado e domingo, no Teatro Raul Belém Machado, a partir de uma interpretação da atriz, que expande o debate sobre silenciamento e anulação das mulheres, sem simplificar de forma leviana o drama. Concebido em 2015, desde então “Leve Cicatriz” foi apresentado em São Paulo, Recife, México e Argentina, e agora retorna aos palcos da capital mineira a partir de um projeto maior.

    Após a reestreia da peça, Luciana Brandão lança, até o fim do ano, um livro, um curta-metragem e um podcast inspirados na obra, como um desdobramento das camadas que seu monólogo pretende desnudar. “Pensei que seria oportuno desenvolver uma versão audiovisual do espetáculo quando a noção de teatro e cinema se rompeu, ampliando suas possibilidades. Já a ideia do livro surgiu como registro histórico de um espetáculo que, 392 anos depois, questiona uma personagem de Shakespeare”, diz Luciana.

    Longe de uma história simplista ou dicotômica, na qual a mulher é apedrejada biblicamente em praça pública ou arbitrariamente apagada do papel de vítima, “Leve Cicatriz” inverte essa autoritária ordem vigente, ao traçar o foco da narrativa por meio de densos e dúbios caminhos de violência aos quais a mulher, do seu corpo às suas ideias, está submetida ainda hoje.

    O mérito da peça está justamente no enfrentamento de Luciana Brandão ao reducionismo rudimentar da questão, abrindo portas para a complexidade das raízes da violência, ressaltando seus paradigmas e contextos sob uma pluralidade de prismas, tais como os abusos psicológicos e afetivos cometidos contra as mulheres, as contradições inerentes ao questionável sentimento de culpa e a latente subjugação feminina sob a égide patriarcal.

    No mesmo estalo de choque do assassinato cometido por uma rainha, estão em jogo as cicatrizes acumuladas nas dores do tempo de mulher, as fantasias idílicas, o morrer mudo e a mordaça involuntária que cobre Lady Macbeth dentro de seu quarto, antes do fim, em sua história não contata.

    Um retrato vivo das agruras de mulheres julgadas e condenadas, mas concomitantemente reprimidas e invisibilizadas, de tal modo que a morte e o autoextermínio aparecem como errantes soluções para as injustiças — ou o que poderíamos chamar de absurdos prováveis. “O que poderia ter acontecido dentro do quarto de uma mulher que no contexto de Macbeth cometeu suicídio?

    Para responder isso, fui no meu repertório, me motivei por contextos próximos a mim ou que eu tinha muita empatia em pensar sobre, e tentei me colocar naquele lugar para buscar entender o que aconteceu”, explica Luciana. Nesse sentido, “Leve Cicatriz” não será reapresentada nos palcos, apenas, seguindo disciplinarmente o texto original.

    A ideia é que o monólogo seja recomposto, levando em consideração o amadurecimento de debates feministas ao longo dos últimos anos e tendo como fio condutor a vivacidade de mulheres que não admitem morrer aflitas, caladas, como artifício de tamponamento para problemas sociais que permanecem de pé. “Respostas óbvias ficaram anos ocultas, ainda que o tempo todo estivessem ali na cena ou no texto.

    Com o tempo e o amadurecimento, vamos colocando essas respostas mais próximas do nosso ideal, à medida do que é possível. Além disso, pela maternidade e por causa da pandemia, estou há mais de três anos sem apresentar o solo. Nem eu e nem a atriz que habita em mim são as mesmas. É sempre desafiador e lindo esse processo. Então, podemos afirmar que não será a mesma peça”, explica Luciana Brandão.

    Com direção e dramaturgia de Léo Kildare Louback, o monólogo de 50 minutos é abastecido por uma estética moderna, à base de luzes de led projetadas em um jogo envolvente, responsável de criar detalhes escultóricos para a apresentação, que dialogam diretamente com a interpretação de Luciana Brandão.

    A trilha sonora, em consonância com o dramático argumento do texto, é de autoria do compositor Thiago Diniz. No palco, Luciana Brandão está cercada por materiais de vidro e referências à água, ressaltando a limpidez no discurso de uma mulher que precisa disputar o direito de falar – até mesmo para morrer.

  • Refestança
    Refestança
    Refestança

    Após o sucesso do "Fé na Festa III", o bloco Andacunfé realiza no dia 21 de janeiro, sábado, a partir das 21h, n'A Casa de Cultura, mais um super evento de aquecimento para o cortejo de Carnaval 2023: a "Refestança".

    Desta vez, haverá a participação especial da cantora Babi Ribeiro: mulher preta, uma das uma das fundadoras do Bloco Seu Vizinho e integrante do coletivo Samba da Resistência.

    Uma noite imperdível para mandar a energia lá pro alto, celebrar a grandiosa obra de Gilberto Gil, ao som de muito forró e ijexá, e dar o start para os festejos da temporada de carnaval!

    Bora com a gente?!

  • REFLEXÕES SOBRE ACESSIBILIDADE EM MUSEUS É PROPOSTA DE AÇÃO EDUCATIVA DA CASA DO BAILE

    A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, o Instituto Periférico e a Casa do Baile - Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design realizaram, em 7 de maio, a ação educativa “Arquitetura dos Sentidos - Pensando com as Mãos”. A proposta foi elaborada em parceria com a marcenaria Oficina.cc e possibilitou reflexões sobre os sentidos e a acessibilidade dentro e fora de unidades museais. 

    Pensando com as mãos

    Educadores do Museu de Arte da Pampulha, da Casa do Baile e do Museu Casa Kubitschek acompanharam convidados, pesquisadores e parceiros com deficiência, além de arquitetos e designers que se interessam pela temática da acessibilidade e da educação em espaços museais em uma visita à marcenaria. A ação permitiu aos participantes experimentarem o espaço, os materiais e o fazer manual a partir da perspectiva de uma pessoa cega, ampliando a compreensão das inúmeras percepções dos sentidos e o poder do tato para a experiência cotidiana - seja ela de uma pessoa cega ou do marceneiro. Ao fim da visita, experimentaram coletivamente os dispositivos pedagógicos táteis que estão sendo desenvolvidos para a Casa do Baile, uma maquete referente ao espaço, que evidencia suas características arquitetônicas, e uma prancha tátil com o relevo do padrão dos azulejos que revestem parte da Casa.

    Pensando com as mãos

    A atividade compôs a programação voltada para acessibilidade em unidades museais promovida pelo Pampulha Território Museus e está vinculada ao tema da Semana Nacional de Museus em 2022, “O Poder dos Museus”.