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Grupo Maria Cutia apresenta AUTO DA COMPADECIDA - Projeto SESC AO VIVO

Descrição

Inspirado na abordagem mítica brasileira do herói sem caráter, com suas vicissitudes morais, e no momento político-social atual do país, o Maria Cutia narra, em cena, as aventuras picarescas João Grilo e Chicó que começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher e acabam em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo.

Nesta apresentação online dentro do projeto SESC AO VIVO, no dia 30 de agosto, domingo, às 21h30, os atores Leonardo Rocha e Mariana Arruda, do Grupo Maria Cutia, fazem uma releitura para tempos de isolamento social da própria peça dirigida por Gabriel Villela. “No espetáculo original, são sete atores em cena. Tivemos que adaptar todas as personagens e cenas para dois atores contarem a história da sala de nossa casa”, comenta a atriz Mariana Arruda que interpreta a Mulher do Padeiro e a Compadecida.

Todo o cenário e as canções, que são executadas ao vivo na peça, também tiveram de ser adaptados para a encenação caseira desta que talvez seja a obra mais conhecida do teatro brasileiro. “Com o apoio dos diretores musicais Babaya Morais e Hugo da Silva, revisitamos as músicas do espetáculo e adaptamos ao máximo o cenário e objetos para tentar transpor o espectador, mesmo assumindo que estamos em casa, para a universalidade onírica da montagem original”, revela o ator Leonardo Rocha que interpreta João Grilo.

O diretor Gabriel Villela, reconhecido pelo estilo barroco de seus espetáculos, na adaptação do Maria Cutia, faz uma analogia estética entre a cor dos figurinos e a cor da lama do rompimento das barragens de mineradoras em Minas Gerais. Esse traço contemporâneo é uma característica presente em todo o espetáculo. Apesar de já tratar no texto original sobre assuntos importantes como o racismo, a ganância, a exploração da fé alheia, na década de 50 quando a peça foi escrita, a adaptação mineira traz outra leitura sobre a obra de Suassuna, mais ligada aos acontecimentos do Brasil de hoje. “Esta é uma boa oportunidade para que as pessoas assistam a história da peça sob outra perspectiva, diferente daquela produzida pela televisão mesmo sendo feita, agora, para a internet”, diz Leonardo.

Nessa versão de Auto da Compadecida o grupo, sob a direção de Gabriel Villela, traz para o texto de Suassuna pitadas brechtianas. Com tom irônico, o trabalho pode ser enquadrado no gênero cênico-musical-picaresco. O olhar político (sem didatismo ou partidarismo) do espetáculo, desprendido do enredo criado pelo célebre autor paraibano, traz outra camada para a obra de Ariano, revelando acontecimentos de um Brasil atual, a partir de personagens e situações que ganham acento ainda mais sarcástico do que os encontrados na dramaturgia original.

O Auto da Compadecida é realizado dentro da série Teatro #EmCasaComSesc promovida pelo Sesc São Paulo durante o período de distanciamento social, com a transmissão de diferentes trabalhos cênicos, direto da casa dos artistas, sempre às segundas, quartas, sextas e domingos, às 21h30. O espetáculo terá única apresentação e não ficará disponível após a transmissão ao vivo.

Localização
online
Data
Em 14 anos de trajetória, a companhia celebra a primeira parceria com o consagrado diretor Gabriel Villela na montagem de releitura da obra de Ariano Suassuna em única apresentação online.
Entrada
Gratuito