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Projeto CineCentro | CineClássico Quarentena - Mês Novembro

Descrição

O CineCentro de novembro indica filmes de atrizes consideradas as mais belas e talentosas da história do cinema clássico, conhecidas como “Deusas do Cinema”.

A seleção apresenta alguns dos modelos de representação do feminino sob a perspectiva do star system hollywoodiano, que durante décadas modelou visões da mulher, reforçando a hierarquia sexual e criando grandes lendas imortalizadas por essas atrizes.

O cinema de Hollywood entre 1930 e 1960 foi um período de idealização do glamour, da valorização da beleza e juventude, do “sexy symbol”, da “femme fatale” e da “objetificação” da mulher. Alguns elementos contribuíram para a construção mítica das grandes estrelas, tais como a fotografia, o figurino, a maquiagem, o cabelo, a personalidade, gesto e close, criando uma forte identificação com o espectador.

O estilo de vida luxuoso e os altos salários das atrizes escondiam a manipulação de suas vidas pessoais e carreiras pelos estúdios (Paramount, Twentieth Century-Fox, Metro-Goldwyn- Mayer, RKO Radio Pictures, Warner Bros, Universal, Columbia e a United Artists), que muitas vezes impunham que interpretassem um tipo específico de personagem.

A atriz Marilyn Monroe, por exemplo, em virtude de sua sensualidade e sex-appeal, sempre interpretava a mocinha bonita e burra, mas capaz de conquistar um homem milionário. Em muitas películas essas atrizes figuravam como protagonistas, seus papéis eram pouco explorados, sendo o maior enfoque dado aos aspectos físicos e moralizantes. Essas personagens desempenhavam uma função complementar aos personagens masculinos, que na trama eram seus salvadores. Por outro lado, quando atuavam como mulheres fatais, eram castigadas por quebrarem as leis e as regras morais.

Algumas atrizes, como Marlene Dietrich, tinham certa autonomia em sua vida pessoal, mas para entrar no mercado americano teve que alterar a cor dos cabelos e arquear as sobrancelhas, além de fazer uma rigorosa dieta. Foi uma mulher considerada além de seu tempo, sendo a primeira mulher a usar calças masculinas publicamente nos anos 20 e se negou a estrelar filmes pró-nazismo.

Apesar desse posicionamento, suas personagens abusavam de elementos de fetichização da sua beleza, que eram uma exigência da atriz, que intervia até mesmo na iluminação de seus closes para garantir os melhores ângulos. Com a crise do star system a imagem sedutora e mítica das Deusas do Cinema entrou em declínio. Ficou evidente que por trás da fama, beleza e vidas perfeitas e felizes das estrelas havia muito sofrimento e solidão.

Os tormentos de Elizabeth Taylor, o casamento infeliz e a infidelidade de Ingrid Bergman e o suicídio de Marilyn Monroe fizeram ruir o mito da felicidade criado por esse sistema. A imagem mitificada dessas estrelas foi gradativamente sendo incorporadas e substituídas por uma nova categoria mais ampla, denominadas de “Divas”, que inclui personalidades diversas do mercado do entretenimento. As divas são personas reais e menos idealizadas, tais como Madonna e Kim Kardashian.

Os padrões estabelecidos na Era de Ouro de Hollywood foram responsáveis por reforçar comportamentos e estereótipos femininos, que com o passar do tempo não mais representavam as mulheres e foram duramente criticados. As mulheres reais não se sentiam representadas na grande tela. Esse cenário começou a mudar a partir da crítica social feminista em 1970, que questionou o feminino nas narrativas fílmicas e também a desigualdade na representatividade da mulher em todas as esferas da produção da indústria cinematográfica.

Além disso, a popularização da televisão diversificou a oferta de conteúdos e competiu diretamente com os estúdios, gerando uma crise nos modelos de representação do star system. Dessa forma, a programação do CineClássico Quarentena apresenta atrizes que adquiriram o status de “Deusas do Cinema” e foram vitais no desenvolvimento da história cinematográfica, muitas delas em interpretações premiadas. É inegável que essas atrizes ainda influenciam padrões de beleza e moda, divulgados ainda hoje pela TV, mídia em geral e redes sociais.

A seleção segue a classificação da American Film Institute (AFI), que contempla atrizes da época de ouro do cinema, como Katherine Hepburn, Bette Davis, Audrey Hepburn, Ingrid Bergman, Greta Garbo, Marilyn Monroe, Marlene Dietrich, Ava Gardner e Rita Hayworth.

Os filmes podem ser encontrados na íntegra pelos links fornecidos abaixo:

Katherine Hepburn (1907 - 2003)

03.11 - Levada da breca – (Bringing up baby (título original), Comédia, Drama, 1938, EUA, Direção: Hamilton MacFadden, P&B, 66’, 12 anos).

David Huxley (Cary Grant) está esperando uma encomenda com um osso que ele precisa para o museu de história onde trabalha. Devido a uma série de circunstâncias ele acaba conhecendo Susan (Katharine Hepburn), uma moça rica e atrapalhada que traz à vida de David inúmeras confusões, entre elas um leopardo do Brasil chamado "Baby".

 Bette Davis (1908 - 1989) 

05.11 - Escravos do desejo - (Of human bondage (título original), Drama, Romance, 1934, EUA, Direção: John Cromwell, P&B, 83´, 14 anos). Philip Carey (Leslie Howard) é um homem com uma deficiência física que abandona suas ambições artísticas para estudar medicina. Philip se apaixona por Mildred Rogers (Bette Davis), uma garçonete desprovida de moral, que o rejeita em prol de um vendedor. Após retornar descasada e grávida, Philip decide acolhê-la, porém logo ela lhe dará novas amarguras.

 Audrey Hepburn (1929 - 1993)

10.11 - Sabrina - (Sabrina (título original), Comédia, Drama, Romance, 1954, EUA, Direção: Billy Wilder, P&B, 113’, 12 anos).

Sabrina Farchild (Audrey Hepburn) é filha do chofer da família Larrabee, cujos filhos são os opostos em pessoa. Linus (Humphrey Bogart) é totalmente voltado ao trabalho, enquanto Davis (William Holden) é um playboy por natureza. Após passar dois anos em Paris, Sabrina retorna à mansão dos Larrabee como uma nova mulher, elegante, sofisticada e madura. Ela desperta a atenção dos dois homens e, quando percebe, já está envolvida num triângulo amoroso dos mais complicados. 

Ingrid Bergman (1915 - 1982)

12.11 - Anastasia, a princesa esquecida - (Anastasia (título original), Biografia, Drama, Histórico 1956, EUA, Direção: Anatole Litvak, Colorido, 105’, Dublado, Livre).

Um homem oportunista de negócios (Yul Brynner) tenta fazer de uma misteriosa impostora a duqueza Anastasia (Ingrid Bergman). A performance da jovem é tão convincente que mesmo os mais céticos acabam acreditando na história. 

Greta Garbo (1905 - 1990)

17.11 - A dama das camélias - (Camille (Título Original), Drama, Romance, 1936, EUA, Direção: George Cukor, P&B, 109’, 12 anos).

A cortesã Marguerite Gautier (Greta Garbo) está perdidamente apaixonada pelo jovem nobre Armand Duval (Robert Taylor). Porém, o pai de Armand implora para que ela não se case com o filho e arruíne a posição social e carreira profissional do rapaz e ela consente em abondar o seu amor. 

Marilyn Monroe (1926 - 1962)

19.11 - Quanto mais quente melhor - (Some Like It Hot (Título Original), Comédia, Musical, Romance, 1959, EUA, Direção: Billy Wilder, P&B, 121’, Livre).

Dois músicos desempregados, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), testemunham sem querer o cruel Massacre do Dia de São Valentim. Obrigados a deixar a cidade, eles arrumam emprego em um grupo musical feminino. Disfarçado de mulheres, eles passam por confusões quando Joe se apaixona pela vocalista Sugar (Marilyn Monroe), a garota problema do grupo, enquanto um milionário se apaixona pelo disfarce de Jerry. 

Marlene Dietrich (1901 - 1992)

24.11 - A Vênus loira - (Blonde Venus (título original), Drama, 1932, EUA, Direção: Josef Von Sternberg P&B, 93’, 12 anos).

Helen (Marlene Dietrich) já brilhou nos clubes noturnos, mas agora está casada com um cientista, Edward Farady (Herbert Marshall), diagnosticado com um envenenamento. Ele precisa conseguir dinheiro para encontrar a cura, que está na Europa. Para isto, volta a se apresentar nos palcos como a “Vênus loira”, tornando-se novamente um grande sucesso. 

Ava Gardner (1922 - 1990)

26.11 - Vênus, Deusa do amor - (One Touch of Venus (título original), Comédia, Fantasia, Musical, 1948, EUA, Direção: William A. Seiter e Gregory La Cava, P&B, 82’, 12 anos).

O vitrinista Eddie Hatch (Robert Walker) beija uma estátua da deusa Vênus que está exposta em seu trabalho. O problema começa quando a estátua vem à vida sob a forma de uma linda mulher (Ava Gardner). Agora, Eddie está realmente em apuros: ele terá que lidar com os ciúmes de sua namorada e tentar resistir aos encantos da estonteante e apaixonada Deusa Vênus. 

Rita Hayworth (1918 - 1987)

01.12 - Salomé - (Salome (título original), Drama, Histórico, 1953, EUA, Direção: William Dieterle, Color, Dublado, 103’, 12 anos).

O Rei Herodes (Charles Laughton) é o rei da Galiléia e faz do governo um antro de orgia, injustiça e corrupção. João Batista (Alan Badel) e os seguidores de Jesus lutam contra ele denunciando as atrocidades. A bela Salomé (Rita Hayworth), filha da esposa de Herodes, vive com eles. Sua mãe Herodias (Judith Anderson) pede a cabeça de João Batista, mas não é ouvida, pois Herodes teme a ação popular. Inconformada, Herodias irá usar sua filha Salomé para conseguir o que quer.

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