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  • CINE HUMBERTO MAURO – Cinema Brasileiro em Cartaz
    CINE HUMBERTO MAURO – Cinema Brasileiro em Cartaz
    CINE HUMBERTO MAURO – Cinema Brasileiro em Cartaz

    Com mais de um século de existência, a produção de cinema no Brasil resiste. Dando importância e visibilidade a filmes nacionais, o Cine Humberto Mauro promove, por meio da Fundação Clóvis Salgado, a última mostra do ano de 2019: Cinema Brasileiro em Cartaz. Apresentando 26 longas-metragens nacionais produzidos entre 2018 e 2019, a mostra oferece ao público a oportunidade de prestigiar a diversidade da produção recente do país. Entre destaques como o premiado pelo júri no Festival de Cannes Bacurau (2019) e o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema na representação estrangeira no Oscar A Vida Invisível (2019), a seleção de filmes tem curadoria colaborativa da equipe de Gerência do Cine, e contempla obras que tiveram poucas oportunidades de exibição nos cinemas de Belo Horizonte. Todos os filmes terão exibição única, e darão destaque a produção cinematográfica mineira recente, que teve grande repercussão nos principais festivais nacionais e internacionais. Dentre eles, Temporada (2019), de André Novais de Oliveira, Baronesa (2018), de Juliana Antunes, Enquanto estamos aqui (2019), de Clarissa Campolina e Luiz Pretti, Baixo Centro (2018), de Samuel Marotta e Ewerton Belico, No Coração do Mundo (2019), de Gabriel Martins e Maurílio Martins, Os Sonâmbulos (2018), de Tiago Mata Machado, A Rainha Nzinga Chegou (2019), de Junia Torres e Isabel Casimira, Espera (2018), de Cao Guimarães, e Os Dias Sem Tereza (2018), de Thiago Taves Sobreiro.

    O destaque também vai para longas dirigidos ou co-dirigidos por mulheres, como Diz a ela que me Viu Chorar (2019), de Maira Buhler, Eleições (2019), de Alice Riff, Chão (2019), de Camila Freitas, Fabiana (2018), de Brunna Laboissière, Torre das Donzelas (2019), de Susanna Lira, Bixa Travesty (2019), de Claudia Priscilla e Kiko Goifman e Ilha (2019), de Glenda Nicácio e Ary Rosa. A ficção científica Divino Amor (2019), de Gabriel Mascaro, também faz parte da mostra. A programação segue com Vermelha (2019), de Getúlio Ribeiro, António Um Dois Três (2019), de Leonardo Mouramateus, Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar (2019), de Marcelo Gomes, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018), de João Salaviza e Renée Nader Messora, Meu Amigo Fela (2019), de Joel Zito Araújo, Diante de Meus Olhos (2019), de André Félix e Inferninho (2019), de Guto Parente e Pedro Diógenes. A mostra proporciona contato com inúmeros filmes que obtiveram baixa ou nenhuma distribuição comercial, configurando uma grande oportunidade ao público mineiro de assistir, refletir e celebrar a permanência e importância do cinema brasileiro.

  • Cine Humberto Mauro – Mostra Clássicas
    Cine Humberto Mauro – Mostra Clássicas
    Cine Humberto Mauro – Mostra Clássicas

    O Cine Humberto Mauro, em correalização com a APPA – Arte e Cultura, apresenta um recorte de filmes dirigidos por mulheres de diversas épocas e países. A curadoria se pautou por uma seleção de obras reconhecidas como clássicas da história do cinema mundial, abrangendo, também, trabalhos mais recentes que tem ganhado atenção da crítica internacional.

    A programação contempla diretoras como Chantal Akerman, Ida Lupino, Marguerite Duras, Jane Campion, Sofia Coppola, Ava DuVernay, entre outras. Até meados dos anos 1920 a presença de mulheres nos cargos de autoria narrativa e direção era bastante significativa, sendo considerada equivalente à dos homens. Quando o cinema estadunidense passa a ser e a representar um negócio lucrativo, que culminou com o sistema de produção industrial próximo do que conhecemos hoje, as mulheres foram excluídas dos lugares de criação e comando. Dorothy Arzner, uma das poucas artistas que sobreviveram a esta transição, marca presença na mostra com o filme A Vida é uma Dança (1940), um dos marcos da era de ouro de Hollywood, que demonstra a sua enorme capacidade em abordar assuntos polêmicos, como traição e desejo feminino, mesmo sob o julgo da censura no auge do Código Hays - conjunto de normas morais aplicadas aos filmes lançados nos Estados Unidos entre 1930 e 1968 pelos grandes estúdios cinematográficos.

    Com ares de uma comédia burlesca, A Vida é uma Dança (1940) ficou conhecido por ser um tratado sobre a condição da mulher em uma sociedade machista e conservadora. Já nos anos 50, a curadoria destaca O Mundo é o Culpado (1950), de Ida Lupino, roteirista e diretora inglesa, que foi a primeira mulher a dirigir um filme noir e a segunda a ser filiada ao Sindicato de Diretores de Hollywood (a primeira foi Dorothy Arzner). O estilo de Ida Lupino é marcado por seu rigor formal e por realizar uma apropriação particular do gênero noir. O Mundo é o Culpado (1950) aborda o estigma sofrido pela protagonista após ser vítima de violência sexual. No contexto brasileiro, a mostra destaca a carreira de Gilda de Abreu, que roteirizou e dirigiu o filme O Ébrio (1946), uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro, baseado na canção homônima do seu então marido Vicente Celestino. Infelizmente, assim como várias outras diretoras, a carreira de Gilda Abreu enfrentou diversos percalços que culminou no fato de não ter conseguido emplacar nenhum outro sucesso comercial à altura do seu primeiro filme.

    A maioria dos filmes presentes na mostra apresenta narrativas que destacam o protagonismo da mulher diante do seu próprio destino, como Jeanne Dielman (1975), de Chantal Akerman, que apresenta o cotidiano exaustivo de uma dona de casa como um gesto político. Estarão na mostra, também, clássicos como Cléo das 5 às 7 (1962) de Agnès Varda e O Piano (1993), de Jane Campion, eleito pela BBC o melhor filme dirigido por uma mulher. Na seleção de novos clássicos, os destaques ficam com Matrix (1999), de Lana Wachowski e Lilly Wachowski, obra emblemática e influente do cinema de ação e ficção cientifica e com as cinebiografias Frida (2002), de Julie Taymor, sobre a Frida Khalo, e Selma – Uma Luta Pela Igualdade (2014), dirigido por Ava DuVernay, sobre Martin Luther King Jr.

  • CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Joan Crawford
    CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Joan Crawford
    CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Joan Crawford

    Do cinema mudo à televisão, Joan Crawford construiu uma carreira se adaptando aos mais diversos formatos e movimentos da indústria audiovisual, tornando-se uma personalidade marcante durante mais de 50 anos de carreira. A atriz é escolha do Cine Humberto Mauro para a nova mostra Joan Crawford, que exibe 27 filmes de sua trajetória, desde os primórdios da carreira como dançarina até performances que a renderam o Oscar. No dia 23 de março, completam-se 118 anos desde o nascimento da atriz: de personalidade e temperamento fortes, Crawford possui uma carreira polêmica, extremamente produtiva e impactante para o mundo do entretenimento.

    Conhecida como uma das maiores atrizes do seu tempo, Crawford consagrou uma carreira de peso e marcou a história do cinema. Segundo Vitor Miranda, a capacidade de Crawford de reinvenção ao longo do século foi um grande marco em sua carreira. “Joan buscou uma posição em Hollywood de forma mais autônoma possível. Ela personifica a força de vontade feminina de uma forma intensa e representa muito bem a capacidade de adaptação e trabalho duro de uma artista ao longo de cinco décadas”, ressalta Miranda.

    Mil faces de uma carreira – A mostra perpassa as diferentes fases do legado da atriz, iniciando com exibições da década de 1920, na qual Crawford interpretava dançarinas ao estilo flapper, termo popularmente conhecido no Brasil como “melindrosa”, referindo-se ao estilo de vida de mulheres jovens que desafiavam as normas limitadoras ao feminino. Deste período, as exibições contemplam os longas O Cavalheiro Pirata (1926) e O Monstro do Circo (1927). “Iniciando a carreira como dançarina, Crawford assina contrato com a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) em 1925, ano que passa a assumir o mesmo papel em filmes mudos. A transição da atriz para o cinema falado, a partir de 1928, foi muito bem-sucedida”, conta Miranda.

    Nessa época, Crawford, que sempre teve como princípio escolher papéis que tivessem identificação com o público: começa a interpretar mulheres trabalhadoras e pobres que buscam a ascensão social, e, após reviravoltas na narrativa, tem a vida modificada encontrando o glamour e a riqueza. “Temáticas com essa natureza se tornaram sucesso de público durante o período de Grande Depressão, época em que o cinema norte-americano foi de grande valia para um momento de escapismo da pobreza que assolava o país. Interpretando essas mulheres, que ecoavam a própria vida da atriz que começou a trabalhar aos 9 anos, Crawford se tornou uma das estrelas mais bem pagas e populares dos EUA”, explica Miranda. Dos sucessos dessa época que representam esse papel, se destaca Possuída (1931), longa contracenado com o ator Clark Gable. A programação segue com Grande Hotel (1932), Amor de Dançarina (1933), Acorrentada (1934), Quando o Diabo Atiça (1934), Felicidade de Mentira (1937), e As Mulheres (1939).

    Ao final da década de 1930, o arquétipo que a rendeu sucesso passou por um momento de declínio e estagnação, culpa em grande parte da própria MGM, que dedicava suas campanhas de publicidade a novas estrelas como Judy Garland e Lana Turner. Mesmo assim, obteve destaque nos longas Um Rosto De Mulher (1941) e Uma Aventura em Paris (1942), últimas produções da atriz com a MGM – após 18 anos de parceria, o contrato foi rompido mutuamente. O grande retorno estratégico de Crawford, já em contrato com a Warner Bros. (WB), foi em Alma e Suplício (1945), longa que a rendeu o Oscar de melhor atriz. Apesar de outras duas indicações – em Fogueira de Paixões (1947) e Precipícios d’Alma (1952), que também fazem parte da mostra – essa foi a única premiação do gênero na qual Crawford foi vencedora.

    Este retorno demonstrou um reconhecimento da capacidade profissional da atriz de se reinventar e determinou a nova fase de sua carreira a partir do final dos anos 40: interpretando personagens nobres e maduras em melodramas noirs que exploram desejo e possessividade. Se destacam suas interpretações em Acordes do Coração (1946), Êxtase de Amor (1947) e Fogueira da Paixão (1947). Nesse ponto de Hollywood, poucos atores e atrizes haviam sobrevivido à transição do cinema mudo para o falado no final dos anos 1920. A relevância de Crawford ainda se manteve nos anos 50, em papéis importantes como Os Desgraçados Não Choram (1950), Folhas Mortas (1956) e o cultuado Johnny Guitar (1954), dirigido por Nicholas Ray.

    Na década seguinte, o maior destaque da atriz fica com O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962), longa no qual Crawford divide cena com a rival Bette Davis. O filme foi responsável por mais um retorno bem-sucedido das duas grandes atrizes e foi um marco para o cinema thriller e de horror, gerando diversas cópias posteriores. O grande sucesso se limitou à sua época e não rendeu papeis de sucesso à Crawford, que atuou posteriormente em Almas Mortas (1964) e Eu Vi Que Foi Você (1965), ambos dirigidos por William Castle. O restante de sua carreira contemplou filmes B de suspense – como Trog, o Monstro da Caverna (1970), e episódios de programa de TV.

    Após a morte de Crawford, sua filha adotiva Christina lançou o polêmico livro com relatos de abuso infantil feitos pela atriz. A narrativa foi levada para as telas de cinema no longa homônimo Mamãezinha Querida (1981), tendo a atriz Faye Dunaway no papel principal. O filme também compõe a mostra e foi grande responsável pela transformação de Crawford num ícone camp (gíria comumente relacionada ao exagero, caricatura, à afetação, a uma estética que ironiza o que é dominante) e em uma das personagens favoritas a ser imitada por drag queens.

    História Permanente do Cinema – Nos dias 19/03, 26/03 e 2/04, serão exibidas sessões comentadas da mostra História Permanente do Cinema, dialogando com a Mostra Joan Crawford. Nas sessões o público terá a oportunidade de assistir filmes protagonizados por Bette Davis e estabelecer assim paralelos na carreira das duas prolíficas e importantes atrizes. Na primeira quinta-feira (19), o Cine exibe Escravos do Desejo (1934) de John Cromwell. Uma Vida Roubada (1946), de Curtis Bernhardt, será exibido no dia 26/03, seguido de Com a Maldade na Alma (1964), de Robert Aldrich, no último dia da mostra.