Noturno Museus - 2022 - Museus

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  • Babilak Bah
    Babilak Bah
    Exposição Oguns kabecilês – Enxadigma - Babilak Bah

    Oguns kabecilês – Enxadigma é uma proposta de site Specific que combina objetos escultóricos numa elaboração com signos mito-poéticos tendo como impulso criativo a iconografia da religiosidade de ascendência africana, acrescido com a questão da terra e as lutas quilombolas. Há cerca de uma década venho nessa investigação incessante com o objetivo de construir objetos que interfiram na paisagem urbana, utilizando a licença poética para produzir em ferro esculturas numa perspectiva tridimensional, tendo no ícone “enxada” uma metáfora para abordar as distorções sociais, a complexidade nacional, sobretudo destacar a importância da população afrodescendente na formação da cultura da sociedade brasileira.

     

    Na instalação que se ergue no Centro de Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado veremos sob nosso olhar: textura e símbolos em ferro que remetem ao terreno da ancestralidade, como arquétipos oriundos de uma vasta cosmologia. Por outro lado, este “enxadograma” escrito em ferro abre a possibilidade de interação, manuseio, provocações dos sentidos e reflexão histórica, tratando-se de uma oferenda em aço para celebrar as africanidades presentes na cidade de Belo Horizonte e homenagear os homens e mulheres negras que contribuíram com a construção da cidade, tanto do ponto de vista de sua edificação, como na invenção cultural.

     

    Esta intervenção poderia estar instalada em várias cidades brasileiras, pois os utensílios em ferro abrem um diálogo, resgatando histórias silenciadas, como a contribuição do homem e da mulher negra na construção da história do país. A enxada se caracteriza como um discurso híbrido e polissêmico, como “provedora de vida” e sentido, com inúmeras possibilidades de interpretação no contexto da arte contemporânea. O objeto enxada, como referência, não evidencia apenas a dimensão religiosa, abarca um entendimento mítico, ideológico, estético e político, indo além do senso comum da ferramenta da exploração do trabalho, representando uma libertação imagética e simbólica. Os objetos nascidos de uma cosmopercepção dialogam com a natureza e o ecossistema do parque, sobretudo com transeuntes, em seu aspecto amplo: cultural, social e ecológico, de certo, soa como uma voz dissonante e poética, como uma cantoria de preto contra uma opressão que necessita cada vez mais ser combatida a ferro e fogo, diluída sob o calor das massas.


    Debruçar a percepção nessa signage batizada de Oguns Kabecilês – enxadigmas é entender o passado com o sentido no futuro e vice-versa. São 10 objetos que foram construídos a partir de rascunhos, às vezes riscados no chão, outras vezes com giz, em
    outra, com pemba, em outro momento, escrito no papel, transportados para um software e hospedados no computador para depois se tornarem uma oferenda em ferro, moldadas com fogo numa evocação ancestral que nos exige justiça e o fim do
    silenciamento. Desse modo, torna-se uma linguagem exposta, murmura o que o corpo negro revela, em suas violências sofridas,
    inscritas na civilização, perpassa a cidade, atravessa o campo e transborda nas diásporas.

     

    Sem exagero e pretensão, o ferro aqui protagoniza a incorporação do oriki, nkise vestido de chapa de aço, é verbo de
    fluidez, substância, confluência densa e delicada, é poema, é canto de resistência que conclama os ‘’Oguns e kabecilês’’ em
    nome da liberdade daqueles que virão fazer a travessia na encruzilhada desse horizonte por uma nova história.

     

    Texto: Babilak Bah - escultor e artista plástico, autor das obras Oguns Kabecilês – enxadigmas
     

     

  • Exposição: “O Hip Hop em Belo Horizonte” - CCBB BH
    Exposição: “O Hip Hop em Belo Horizonte” - CCBB BH
    Exposição: “O Hip Hop em Belo Horizonte” - CCBB BH

    Neste ano, a cultura Hip Hop comemora 49 anos de existência, com 39 anos de história no Brasil. Para celebrar, show “Pra Romper Fronteiras”, com o rapper Roger Deff, exposição “O Hip Hop em Belo Horizonte” e aula aberta de dança com Eduardo Sô em um único dia, 19 de outubro, no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte.

    A mostra, que pode ser visitada das 10h às 22h no Teatro II, e a aula de dança, das 18h às 19h30, no Pátio, são gratuitas.

    A apresentação de Roger Deff, às 20h, no Teatro I, conta com direção e participação do músico Sérgio Pererê e tem ingressos  podem ser adquiridos na bilheteria física do CCBB ou no site bb.com.br/cultura.

    Em outubro de 2021 o rapper Roger Deff lançou o álbum “Pra Romper Fronteiras”, o segundo da sua carreira solo.

    Devido ao distanciamento ocasionado pela pandemia Roger gravou as vozes do disco em sua casa, enquanto toda a parte instrumental e de finalização ficou a cargo de Sérgio Giffoni e Fernando Macaco, amigos que assinam a produção do disco que conta ainda com a ilustração do pesquisador e grafiteiro Binho Barreto para as capas, além das participações de Sérgio Pererê, Michelle Oliveira e os DJs Hamilton Jr e Flávio Machado.

    Um ano depois, em 2022, e com uma edição em vinil, “Pra Romper Fronteiras” vai ser celebrado, não apenas pela obra em si, mas pelo contexto da própria cultura Hip Hop da qual faz parte.

  •  Exposição: ‘Ohitthuna Amakhuwa – A Arte Gráfica de Justino Cardoso’
    Exposição: ‘Ohitthuna Amakhuwa – A Arte Gráfica de Justino Cardoso’
    Exposição: ‘Ohitthuna Amakhuwa – A Arte Gráfica de Justino Cardoso’

    O Centro Cultural UFMG convida para a abertura da exposição ‘Ohitthuna Amakhuwa – A Arte Gráfica de Justino Cardoso’, com curadoria de Eduardo Vargas e colaboração de Brígida Campbell. 

    A mostra apresenta onze séries de desenhos realizadas entre 2011 e 2024.

     Inéditas no Brasil, essas séries do Mestre Justino Cardoso contam, no cinquentenário da Independência de Moçambique, histórias marcantes do país, além de outras histórias da África. 

    O evento acontece no dia 22 de agosto de 2025, sexta-feira, às 19 horas. 

    As obras poderão ser vistas até 21 de setembro de 2025.

     A entrada é gratuita e tem classificação indicativa de 12 anos.