Noturno Museus - 2022 - Museus

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  • Exposição: O Fio da Voz
    Exposição: O Fio da Voz
    Exposição: O Fio da Voz

    Olhos aquáticos Correm rios entre mulheres Pelo brilho dos olhos que elas Passaram a atingir O caminho mais fértil Contra a aridez e a secura No segmento final, a voz.

    Esse poema escrito por mim há alguns anos, que pronuncia de maneira sintética, o profundo e intenso processo de descoberta e de plena apropriação da própria voz que nós mulheres temos vivido, foi o catalisador do projeto O FIO DA VOZ.

    O desenvolvimento do projeto se constituiu em encontros mensais ao longo do ano, entre sete artistas com distintos modos de produção artística e vivências, para partilha de conhecimentos teóricos e práticos, afetos e singularidades.

    E é no entendimento da nossa singularidade, mesmo quando unidas, que a presente exposição, de mesmo nome, propõe criar uma trama bem urdida entre sete maneiras distintas de costurar, bordar, pintar, desenhar, manipular, esculpir, construir e ressignificar a linha e a matéria têxtil.

    Cada artista elabora suas obras com os fios da memória trazidos pelas avós, mães, tias e outras mulheres, entrelaçando-os com suas próprias vivências e pesquisas.

    Entendemos que ao ser expresso plástica e criticamente, e, portanto, liberto de sua condição, inicialmente, estritamente doméstica, o ato de costurar e bordar desconstrói um lugar simbólico de sujeição aos ditames do patriarcado para um ideal feminimo, lugar esse que durante muito tempo sequestrou nossa própria voz.

    Além das obras individuais, onde cada artista expõe alguns resultados de suas pesquisas, é apresentada a obra coletiva CONVERSA FIADA que foi construída ao longo dos nossos encontros mensais.

    Partindo de um centro individualizado, percorremos mais três etapas em sua feitura. Inicialmente, trabalhamos em duplas, para, posteriormente, trabalharmos em dois grupos com quatro artistas cada e, finalmente, produzimos o círculo externo dessa obra com a participação de todas.

    Tal como descrito no poema acima, o brilho em nossos olhos é produto de nossa consciência desperta e em ressonância com a consciência de outras mulheres que também tecem o próprio fio.

    Somos mulheres em quem o brilho dos olhos – conquistados por mantermos os pés na terra e mirarmos sem distinção, tanto o sol quanto a lua – escorre de nós para o mundo, convertendo-se nos rios que nos igualam em sua fluidez e possibilidades aquáticas de fecundidade e expansão. Mulheres distintas, porém participantes das mesmas águas. Lívia Limp

  • Exposição: "O Futuro é Indígena" – de Edgar Kanaykõ Xakriabá | Espaço do Conhecimento UFMG
    Exposição: "O Futuro é Indígena" – de Edgar Kanaykõ Xakriabá | Espaço do Conhecimento UFMG
    Exposição: "O Futuro é Indígena" – de Edgar Kanaykõ Xakriabá | Espaço do Conhecimento UFMG

    "O Futuro é Indígena" – exposição de Edgar Kanaykõ Xakriabá em exibição na Fachada Digital do Espaço do Conhecimento UFMG integra programação do Agosto Indígena

    Fachada Digital do Espaço do Conhecimento UFMG exibe fotos do cotidiano dos Xakriabá

    Belo Horizonte, 26 de agosto de 2022 – Em continuidade à celebração do Agosto Indígena, está em exibição na Fachada Digital do Espaço do Conhecimento UFMG a exposição “O Futuro é Indígena” do artista Edgar Kanaykõ Xakriabá.

    As imagens, em colorido e em preto e banco, retratam o cotidiano dos Xakriabá. Em seu trabalho, o autor afirma que “a fotografia e o audiovisual são tomados como uma ferramenta de luta para os povos indígenas, possibilitando ao ‘outro’ ver com outro olhar aquilo que somos”, explica Edgar.

    Sobre o autor

    Edgar teve o primeiro contato com as câmeras no começo dos anos 2000, quando chegou também na aldeia a rede elétrica e outras tecnologias. Na juventude ele já se interessava pelas imagens como forma de registro do cotidiano de seu povo.

    É formado em Ciências Sociais/Humanas, no curso de Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI), da Faculdade de Educação da UFMG. 

    Quando entrou na faculdade, em 2009, Edgar já sabia que queria estudar as imagens, mas mergulhou mesmo neste universo quando, no mestrado, recebeu apoio da Associação Indígena Xakriabá para que desenvolvesse uma reflexão sobre essa importante tecnologia.

    A vivência na universidade ampliou ainda mais o seu olhar. Ali ele conheceu a etnografia (estudo sobre a cultura de grupos sociais) e deu-se então seu encontro com a etnofotografia, que, além de ser uma forma de falar de sua cultura, também é uma potente ferramenta de luta.

    Sendo o primeiro indígena mestre em Antropologia pela UFMG, decidiu nomear a sua dissertação de mestrado como “Etnovisão: o olhar indígena que atravessa a lente''. Edgar Corrêa Kanaykõ, nasceu e vive na Terra Indígena Xakriabá, município de São João das Missões, em Minas Gerais. 

    Para os Xakriabá, a fotografia revela segredos além do que os olhos podem captar. Na língua akwẽ, hêmba significa tanto “alma” quanto “imagem”. Segundo a cultura Xakriabá, ao fotografar rituais, são os espíritos locais, por meio dos pajés, que dizem o que pode ou não ser revelado.

    Na  exposição “O Futuro é Indígena”  são exibidos  retratos da realidade sob a ótica da etnofotografia indígena  com imagens de parte de sua carreira. É possível acompanhar o trabalho do artista pelo Instagram @edgarkanayko/, sempre com novas fotos legendadas e com histórias ou textos de outros autores indígenas.

  • Exposição: "O Grito" de Pedro Moraleida
    Exposição: "O Grito" de Pedro Moraleida
    Exposição: "O Grito" de Pedro Moraleida

    A exposição O Grito de Pedro Moraleida está aberta ao público na Academia Mineira de Letras!

    Em homenagem aos 25 anos de sua morte, a mostra foca na produção textual e literária do artista, revelando sua visão única e provocadora sobre a arte e o mundo ao seu redor.

    Com curadoria de Vera CasaNova e Inês Rabelo, a exposição reúne manifestos, poesias e listas, além de três obras inéditas de sua série "Desenhos com Letras", que nunca haviam sido vistas em Belo Horizonte. 

    Moraleida, que em vida desafiou as convenções da arte com sua ousadia e inquietação, agora os convida a mergulhar em seus escritos, que são ao mesmo tempo poesia, crítica e reflexão profunda sobre a existência humana.

    Não perca a chance de vivenciar essa experiência única. 

    A exposição fica em cartaz até 5 de abril.

    Classificação indicativa: 18 anos.