Noturno Museus - 2022 - Museus

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  • Lançamento do livro “Sá Dona Avó”, de Valderez Valle

    Formada em Pedagogia pela UFMG, na década de 50, época em que as mulheres eram criadas “pra casar”, a autora participou do movimento de alfabetização de adultos com o grupo Paulo Freire e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil. Para ela, a educação era, já naqueles anos, o caminho para melhorar os homens e o mundo. Em pleno regime militar, foi a mais nova jovem a trabalhar na progressista escola Israelita Brasileira, hoje Escola Albert Einstein, que abriu as portas da inclusão compartilhada entre a comunidade judaica e não judaica de Belo Horizonte. Co-fundou e dirigiu o Instituto Brasileiro Edouard Claparède, a primeira escola que incluía “crianças diferentes” no ensino, com uma grade multidisciplinar comum a todos os alunos, aqueles “que pareciam ter problemas” e os ditos “normais”. Para ela, há décadas, a inclusão e a igualdade eram garantidas com o respeito pelas diferenças.   www.facebook.com/meupatiosavassi

  •  Lançamento do livro: Salto, da autora Clara Amorim
    Lançamento do livro: Salto, da autora Clara Amorim
    Lançamento do livro: Salto, da autora Clara Amorim

    No dia 23 de agosto, acontece, no Espaço Mama Cadela, o lançamento do livro Salto, segunda obra da autora Clara Amorim, publicada pela Curva Editorial. Numa composição bastante contemporânea, marcada pela mescla de várias formas literárias, como poemas em verso, fragmentos, narrativas poéticas e memórias, o livro aborda, por meio do universo da natação e da água como metáfora, temáticas relacionadas ao feminino e às narrativas de mulheres, à passagem do tempo, às aprendizagens da vida. O lançamento acontecerá às 16h e conta com entrada franca. Mais informações no Instagram @claradamorim. De acordo com a poeta e romancista paulista Lilian Sais, em seu novo livro, Clara Amorim propõe saltos no tempo, em um percurso de aprendizagens que vão da infância à adolescência e à vida adulta. Para ela, em Salto, “quem salta, em primeiro lugar, é o corpo lírico de uma mulher posto em cena, que se narra, geralmente, em primeira pessoa do singular. Em segundo lugar, um inventário de outros corpos líricos, narrados de fora, que vão compondo um mosaico de histórias, vidas, mulheres e fantasmas. 

    Em terceiro lugar, nós, que, ao lermos o livro, adivinhamos a iminência de um baque, som resultado do atrito causado pelo produto do salto, que é sempre – e principalmente – algum tipo de queda." Clara conta que o ponto de partida para a escrita da obra Salto se deu a partir de um diário de natação, da observação do cenário da piscina, dos corpos nadando, aprendendo e ensinando a nadar. “A partir desse ponto que envolvia a água e a ideia de aprendizagem, eu comecei a tecer relações entre o gesto de nadar e o gesto da escrita: quais as semelhanças entre nadar e escrever? Fui descobrindo autores que já tinham pensado sobre isso e que diziam que tudo é uma questão de ritmo”, diz. Segundo a autora, o desenvolvimento do livro se deu, também, quando ela começou a revisitar memórias pessoais e familiares que, de alguma forma, envolviam a água e principalmente as mulheres de sua história familiar. “A partir dessa constatação, foi surgindo uma cartografia de fragmentos de histórias dessas mulheres, transformando-as em personagens que se constituem e logo desaparecem em pequenos fragmentos e cujas histórias são permeadas pelas várias formas da água, como a piscina, o rio, o mar, a cisterna, o chuveiro, as infiltrações, as lágrimas”, diz. 

    Ao mesmo tempo em que as memórias relacionadas à água surgiam, Clara começou a se interessar por referências artísticas visuais, audiovisuais e literárias que tivessem a piscina como cenário. “Eu fui percebendo que a piscina, que a princípio é um espaço que remete ao lúdico, à brincadeira, a um espaço solar e leve, nessas obras artísticas tornava-se um cenário para coisas mais densas: tensões familiares, a descoberta da sexualidade, conflitos internos, assédios, até crimes; e isso me instigou a aprofundar nessa pesquisa da piscina e da água como um lugar que revela algo do inconsciente”, conta. Salto é uma publicação de poesia marcada pela contemporaneidade de sua forma. “Eu entendo a obra como um livro de poesia que explora esse aspecto híbrido das formas que o compõem, com poemas em verso, pequenas narrativas poéticas, pequenos fragmentos, poemas em prosa. O processo de escrita foi me levando para um lugar de investigação e invenção da linguagem que aposta nessa mistura. No Salto, há uma certa encenação de um eu diante dessas várias memórias, desses vários fantasmas, dessas mulheres e suas histórias, habitando diversos cenários molhados”, revela a autora. “É um livro que parece uma espiral.

     A partir desse fio condutor que é a água e o aprendizado, ele vai tecendo uma espiral entre os textos em torno do feminino, das memórias de mulheres, do aprendizado da escrita, dos saltos da vida, do que tropeça, e não necessariamente só do que salta”, ressalta Clara. Salto foi editado em parceria com a editora Curva, coordenada por Alice Bicalho. Alice e Clara propuseram um processo editorial compartilhado e colaborativo, em que o original foi lido em voz alta e comentado em duas ocasiões antes de ser preparado. Além disso, o livro também conta com ilustrações da artista e psicanalista Olívia Viana e projeto gráfico de Ana Bahia, e o resultado é um livro que traduz a água, suas profundezas e sua maleabilidade não apenas em sua poética, mas também em sua visualidade.

  • Lançamento do livro "Submersa, 20 anos com Sapos e Afogados"
    Lançamento do livro "Submersa, 20 anos com Sapos e Afogados"
    Lançamento do livro "Submersa, 20 anos com Sapos e Afogados"

    "Submersa, 20 anos com os Sapos e Afogados” narra a trajetória do Núcleo de Criação e Pesquisa Sapos e Afogados. É um livro que revela a jornada do grupo de teatro formado por portadores do sofrimento mental dirigido pela atriz Juliana Saúde Barreto, na cidade de Belo Horizonte.

    Desde a sua criação, em 2003, o grupo tem se dedicado a explorar a interseção entre arte e saúde mental, criando espetáculos que abordam temas diversos e que de alguma forma dialogam com a loucura e a possibilidade inventiva que ela também ensina. A partir do encontro com a atriz e diretora Juliana Saúde Barreto os atores nesse fazer ressignificam a arte e o olhar para a loucura ampliando o conceito de saúde mental.

    O livro acompanha a evolução do grupo ao longo dos seus 20 anos de existência, desde a saída da rede pública de saúde mental as suas primeiras apresentações em pequenos teatros da cidade até as grandes produções que marcaram a sua trajetória. Os leitores poderão conhecer de perto a metodologia de trabalho do núcleo, que combina técnicas de teatro e acolhimento em saúde mental, e como ela foi aprimorada ao longo dos anos.

    Além disso, o livro apresenta relatos sobre membros do grupo e de pessoas que tiveram as suas vidas transformadas pelo trabalho do Sapos e Afogados. Os leitores poderão conhecer as histórias por trás dos bastidores das produções e como o trabalho do grupo impactou a vida de tantas pessoas ao longo dos anos.

    "Submersa" é uma obra inspiradora que mostra como a arte pode ser uma poderosa ferramenta de transformação pessoal e social. Para quem se interessa pelo teatro, pela psicologia ou pela saúde mental, este livro é uma leitura imperdível.