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  • Espetáculo: "Deus da Carnificina"
    Espetáculo: "Deus da Carnificina"
    Espetáculo: “Deus da Carnificina” | Palácio das Artes

    No dia 22 de outubro, sábado, o espetáculo “Deus da Carnificina”, montagem que celebra os 20 anos da Cia da Farsa, volta ao Palácio das Artes. Com direção de Sérgio Abritta, o espetáculo traz texto inédito da roteirista, romancista e atriz francesa Yasmina Reza. O drama contemporâneo tem classificação indicativa de 12 anos.

    “Fazer 20 anos de companhia é o mesmo que um casamento. No nosso caso, com o teatro, e numa perspectiva centrada em apresentar, aos espectadores, textos de qualidade, bem construídos, com personagens definidas, que tragam um debate numa perspectiva contemporânea. Para nós, mais que a forma, o conteúdo é importante”, explica Alexandre Toledo, ator e fundador da Cia. da Farsa.

    Atualmente formada por Toledo, Marcus Labatti e Alex Zanon, a Cia da Farsa nasce em 2002 com a montagem do texto Tribobó City, e pouco depois, estreia “A Farsa da boa preguiça” (2003), espetáculo que rende prêmios ao grupo. Desde então, passa por diversas formações, estéticas, diretores e autores – muitos deles nacionais, como Maria Clara Machado, Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, e mais recentemente, Sérgio Abritta. “Sérgio é um namoro antigo que começa com ‘Adultérios e outras pequenas traições’ (2014) – comédia da companhia escrita e dirigida por ele. Temos muito em comum: gostamos de um teatro de texto com discussões atuais que abordam as relações humanas, amorosas, políticas. Daí o desejo de montar ‘Arte’ (2019), também de Yasmina Reza, e, logo após, ‘Wilde.Re/Construído’, com o qual ganhamos o ‘Prêmio Palco em Cena’, do Brasil Valourec, em 2020. ‘Deus da Carnificina’ veio, em seguida, como caminho natural”, conta Toledo.

    Em “Deus da Carnificina”, dois casais se reúnem para tentar resolver um pequeno incidente: o filho de um quebrou os dentes do filho do outro. Tudo começa bem, dentro da polidez que caracteriza os casais modernos e educados. Aos poucos, a conversa toma caminhos inesperados e o que era cortesia e refinamento se torna intimidação e violência. A linha tênue entre a civilidade e a barbárie está prestes a ser ultrapassada. “Yasmina faz uma reflexão sobre a sociedade ocidental e sua capa de civilidade, da necessidade urgente de repensarmos nossas relações em comunidade, antes que a violência se instaure definitivamente”, comenta Sérgio Abritta.

    Em cena, os atores Alexandre Toledo, Andréia Quaresma, Flávia Fernandes e Marcus Labatti são separados do público por estruturas metálicas que lembram uma grande gaiola. Segundo o cenógrafo Yuri Simon, “o elenco queria que tivesse algum elemento visual que provocasse o público. Além disso, a autora sugere uma cenografia não realista. Daí me ocorreu a ideia de propor uma identificação dessas personagens como feras que estão presas nesta gaiola”, explica.

    Aprisionados em suas questões, durante 85 minutos as personagens conduzem o espectador a experimentar climas diversos que vão da comicidade à violência. “Há uma constante tentativa de finalizar uma discussão iniciada, mas são incapazes de chegar a uma conclusão. Vivem uma constante necessidade de retorno ao conflito. Todo mobiliário cênico, que figurativamente representa uma sala de estar, adota um estilo industrial, e conforme sua configuração, insinua uma neutralidade e um despojamento estético que também nos remetem às peças de um viveiro de metal”, acrescenta.

    Além do cenário, Yuri também assina a iluminação. “A proposta é criar uma cena mais clara, com uma tonalidade branco quente que escurece, em alguns momentos, dando maior visibilidade aos recortes e efeitos das marcações dramáticas. Além disso a iluminação se aproveita da projeção em vídeo de Antonionne Leone para criar texturas e composições rítmicas, em diálogo com a sonoplastia de Márcio Monteiro”, conclui.

  • Cartaz horizontal com fundo branco. No lado esquerdo, destaca-se uma arte quadrada em preto e branco no estilo colagem, mostrando um rosto composto por vários pedaços de papel rasgados e sobrepostos que revelam diferentes close-ups de bocas e olhos. No lado direito, o topo traz a assinatura "deuses & monstros apresenta" escrita em uma tipografia gótica preta estilizada. Logo abaixo, o título principal "NOSSAS VOZES" ganha grande destaque em letras maiúsculas escuras, com a palavra "NOSSAS" preenchida em to
    Cartaz horizontal com fundo branco. No lado esquerdo, destaca-se uma arte quadrada em preto e branco no estilo colagem, mostrando um rosto composto por vários pedaços de papel rasgados e sobrepostos que revelam diferentes close-ups de bocas e olhos. No lado direito, o topo traz a assinatura "deuses & monstros apresenta" escrita em uma tipografia gótica preta estilizada. Logo abaixo, o título principal "NOSSAS VOZES" ganha grande destaque em letras maiúsculas escuras, com a palavra "NOSSAS" preenchida em to
    Espetáculo: Deuses&Monstros - Nossas Vozes

    O espetáculo “Deuses & Monstros: Nossas Vozes” estreia neste sábado, dia 13 de junho, no Teatro Nossa Senhora das Dores, em Belo Horizonte, propondo uma reflexão sobre memória, identidade e resistência por meio da arte drag. A montagem reúne em cena drag queens, drag kings, transformistas, palhaços e drag monsters em uma celebração que explora a dualidade entre o divino e o monstruoso presentes na experiência humana. 

    Com trilha sonora formada por obras marcantes da música brasileira produzida por artistas queer das décadas de 1980 e 1990, o espetáculo utiliza dança, performance, desfile, figurinos e maquiagem para reconstruir um período histórico marcado por contrastes. De um lado, a liberdade conquistada com a redemocratização do país; de outro, o medo e o estigma provocados pela epidemia do HIV/AIDS. Ao longo da apresentação, diferentes narrativas se cruzam para mostrar como histórias individuais compõem uma memória coletiva. 

    Segundo o diretor Marcos Rios, a montagem surge da necessidade de preservar lembranças que ajudaram a construir os direitos e espaços conquistados atualmente. “'Nossas Vozes' nasce da necessidade de lembrar. Lembrar daqueles que resistiram à violência da ditadura, ao preconceito e às perdas provocadas pela crise da AIDS. O espetáculo transforma memória em presença e homenagem em ação, convidando o público a reconhecer que a liberdade de existir hoje foi construída por muitas vozes que vieram antes de nós”, afirma. 

    Mais do que um espetáculo artístico, a produção se apresenta como um tributo à história da comunidade LGBTQIAPN+. A proposta busca devolver visibilidade a trajetórias muitas vezes apagadas, ao mesmo tempo em que valoriza a arte drag como instrumento de expressão, resistência e construção de memória. A montagem também presta homenagem à contribuição de artistas queer para a cultura brasileira e destaca o papel da arte na preservação dessas narrativas. 

    A direção, dramaturgia, coreografia, produção e roteiro são assinados por Marcos Rios. A direção de figurino é de Vinícius Vetorazzi e a comunicação do projeto é realizada pela Vox Brand. O elenco reúne Brumas, Gaia Voidd, Lilia Azul, Umbra, RAVii, Voga, VOLTZ e Vormitx. A equipe técnica conta ainda com projeção multimídia de Samuel Santos, sonoplastia de Isabela Oliveira, iluminação de Marlon Santos e contra-regragem de Aline Goes e Isys Vilela. As apresentações acontecem no dia 13 de junho, sábado, em duas sessões, às 19h e às 20h30, no Teatro Nossa Senhora das Dores, localizado na Avenida Francisco Sales, 77, no bairro Floresta, na região Leste. Os ingressos estão disponíveis exclusivamente pela plataforma Sympla. Mais informações podem ser obtidas pelo perfil oficial do projeto nas redes sociais.

  • imagem de várias mulheres agachadas e pintadas
    imagem de várias mulheres agachadas e pintadas
    Espetáculo: Diálogos Femininos e Identidade

    A nova versão celebra os 26 anos da Cia Baobá Minas, referência nos estudos e criações relacionadas à dança afro-brasileira em Minas Gerais, e reafirma a capacidade de reinvenção do grupo, ao amplificar as vozes e histórias de mulheres negras, a partir de um repertório atento sobre ancestralidade, oralidade e narrativas afrodiaspóricas. “A gente traz o samba, a festa, mas ao mesmo tempo a gente traz a dor. Os desafios e vitórias dessas mulheres para sobreviver, para serem respeitadas dignamente”, adianta Júnia Bertolino

    A dramaturgia de Júnia Bertolino é inspirada diretamente nas contribuições e superações de mulheres negras pioneiras em diversas áreas do conhecimento e das artes. Entre elas, estão Marlene Silva, precursora da dança afro em Minas Gerais; Mercedes Baptista, a primeira negra integrante do balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro; Ruth de Souza, considerada a primeira referência negra na televisão brasileira; e Maria Firmino dos Reis, autora do primeiro romance abolicionista do Brasil.