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  • Espetáculo: “Diário de Um Louco” com o ator Milhem Cortaz
    Espetáculo: “Diário de Um Louco” com o ator Milhem Cortaz
    Espetáculo: “Diário de Um Louco” com o ator Milhem Cortaz

    O ator Milhem Cortaz, que recentemente brilhou na série “Os Outros”, do Globoplay, e na novela “Volta por Cima”, chega ao Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) para apresentar seu primeiro monólogo, “Diário de Um Louco”, dirigido por Bruce Gomlevsky, de 17 de julho a 4 de agosto de 2025, de quinta a segunda, às 20h.

     O projeto foi idealizado pelo produtor Carlos Grun, que retoma a parceria com o ator e o diretor iniciada há doze anos na montagem de “A Volta ao Lar”, de Harold Pinter. Os ingressos, a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), podem ser adquiridos pelo site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH, sempre às quartas-feiras da semana anterior às apresentações. 

    O espetáculo é uma adaptação do conto literário do escritor russo Nikolai Gogol (1809-1852) publicado em 1835, que acompanha a trajetória de um trabalhador de classe média baixa, um funcionário público, que gradualmente vai perdendo sua sanidade mental. Através dos relatos em seu suposto diário, fica clara a progressiva desconexão desse ‘homem comum’ com a realidade.

  • Espetáculo "Dias Demais"
    Espetáculo "Dias Demais"
    Espetáculo: "Dias Demais"

    "Dias Demais" é um espetáculo cênico-musical concebido a partir do livro lançado em 2022 por Renato Diniz. É um retrato nostálgico das desventuras de um menino deficiente durante as décadas de 70 e 80 e a presença exuberante da música nessa história.

    "Dias Demais" não foi concebido como uma história de superação ao estilo “Forrest Gump”, em que arrancaria os aparelhos das pernas numa corrida e transformaria o mundo, mas como ponto de partida uma auto-investigação.

    Classificação etária: livre

     

  • Espetáculo: Dias Felizes
    Espetáculo: Dias Felizes
    Espetáculo: Dias Felizes

    Enterrada até a cintura – e depois até o pescoço – Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho – e, mais ameaçadoramente, um revólver.

    "Dias Felizes", de Samuel Beckett, retorna aos palcos em uma nova montagem da Armazém Companhia de Teatro, explorando, com ironia mordaz, o frágil equilíbrio entre o contentamento e o desespero. Neste clássico do século XX, a condição humana é exposta com brutalidade e sarcasmo, revelando como nos agarramos a rituais e memórias para suportar a passagem do tempo.

    Sob a direção de Paulo de Moraes (vencedor em 2024 dos Prêmios APTR e FITA por "Brás Cubas"), a montagem ressignifica a jornada de Winnie (interpretada por Patrícia Selonk), explorando a fina camada que separa o otimismo da resignação. Enterrada até a cintura – e depois até o pescoço – Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso. Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho – e, mais ameaçadoramente, um revólver.

    Willie, seu companheiro enigmático e silencioso, é interpretado em dias alternados por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes. Na montagem da Armazém, Willie não é apenas um espectador passivo da decadência de Winnie, mas um parceiro de cena improvável – ora cúmplice silencioso, ora um lembrete incômodo de que até a solidão pode ter companhia.

    Beckett definiu Winnie como "um pássaro com óleo em suas penas", uma criatura do ar condenada a uma existência terrestre. Sua luta não é apenas pessoal, mas também coletiva. Se, no passado, a paisagem desolada da peça remetia à catástrofe nuclear, hoje ela ressoa com a paisagem ressecada do aquecimento global. A crise existencial do eu se funde à crise da espécie – e talvez do planeta.

    Nesta montagem, o humor ácido de Beckett ganha relevo, revelando-se nas repetições obstinadas de Winnie, em seu otimismo inabalável diante do absurdo e na própria mecânica implacável do tempo. Entre o riso e a ruína, a peça constrói um jogo cruel e fascinante, onde cada palavra dita ressoa como um eco entre a esperança e o delírio.