Exposição individual: Liliane Dardot
VERSO REVERSO
Exposição individual - Liliane Dardot
Espaço Mezanino
De 11/06 a 09/07

VERSO REVERSO
Exposição individual - Liliane Dardot
Espaço Mezanino
De 11/06 a 09/07
Segundo erre erre, Magra Sombra é uma exposição que apresenta séries que apontam e se aproximam de questões heterogêneas, mas que trazem em si um eixo comum: a presença de um corpo vivo, de um corpo de passagem, aberto, em trânsito. Corpo este que é observado por parâmetros alargados de distância e tempo a partir de dilatações que se opõe à linearidade, à imposição vertical de uma noção de tempo e vida achatada, terraplanar, capitalista. “O corpo a que me refiro aqui, é um corpo lento, que observa, que sente, que comunica, que erra. um corpo que vibra, que sonha. Um corpo que goza”. As sete séries apresentadas nesta mostra, ‘Caos Rainha’, ‘Tudo Nasceu, Suave Coisa Nenhuma’, ‘Eu Nunca Tive Mãe’, ‘Vala’, ‘Incandescente’ e ‘Má Fé’ demonstram a rica criação do artista que trabalha em diversas mídias como pintura, colagem, desenho, motonotipia, impressão e vídeo. Não partem de uma delimitação conceitual uníssona, mas refletem o processo criativo do artista. erre erre reúne em seu trabalho uma rede de fragmentos que dialogam, conflitam, confluem. Magra Sombra fala ainda sobre liberdades, sobre combates e sobre um tempo que não cria fronteiras; movidos sempre pelo fazer, pela ação, pelo gesto: a vivacidade da matéria, a invenção de vocabulários, a experimentação e destruição de linguagens. Não interessa ao artista o virtuosismo, a pureza de cada linguagem, a história dos vencedores, o domínio das ferramentas. “Não me interessa o controle, mas o delírio”. “Me instiga no título da exposição o fato de Magra Sombra ser uma combinação de palavras que não sugere prontamente uma imagem, mas uma relação entre elementos; traz ainda uma lentidão em si, que me agrada, pois frustra uma certa agilidade objetiva. Por fim, traz a atenção a algo opaco, invisibilizado, o avesso da luz: a sombra. Mas não é a sombra sob o peso obscuro, moralizado, é a sombra enquanto consequência de um corpo no aberto, de uma presença que atravessa um espaço e se banha de luz.
A exposição ‘Monturo e outros tantos’ propõe uma reflexão contundente sobre os modos de produção, acúmulo e exploração da natureza que caracterizam a sociedade contemporânea. O termo que dá nome à mostra refere-se a um amontoado de coisas — plantas, animais, máquinas, ferramentas e engrenagens — associadas à produção agrícola industrial e à lógica das commodities.
A partir desse conceito, a exposição questiona: por que e para que acumulamos tanto? Em vez de solucionar problemas, esse processo tem gerado crises globais como mudanças climáticas, pandemias e desigualdades extremas. Vivemos um paradoxo: nunca tivemos tecnologias tão avançadas e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão próximos de um total colapso ambiental e social.
Reunindo pinturas, desenhos, gravuras, objetos e instalações, as obras dialogam com o conceito de Antropoceno, termo usado para definir a era em que a ação humana se tornou uma força capaz de alterar profundamente o planeta. A exposição evidencia como o desequilíbrio entre a vida humana e os demais sistemas naturais está diretamente ligado à lógica do acúmulo e da exploração.
Entre os destaques está a série ‘Modernização conservadora’ (2023–2025), na qual paisagens aparentemente preservadas recebem gravações a laser que revelam monoculturas, gado e maquinário agrícola, apontando para as transformações violentas promovidas pela agroindústria. Já na série ‘Quando a natureza passa a ser cultura’ (2024), a sobreposição de imagens de plantas e marcas de agrotóxicos cria um embate visual entre diferentes políticas de vida e morte.
A mostra também apresenta a escultura ‘Antropoceno (BBBP)’ (2025), feita com materiais como papel de Bíblia, bosta de boi, chumbo e petróleo, além de obras como ‘Futuro’ (2024), uma gravura criada a partir da escrita invertida e espelhada da palavra ‘futuro’ por crianças não alfabetizadas, e a instalação ‘Mesh (superfície e imagem)’ (2025), que explora a relação entre o real e o virtual por meio de reflexos e luz, em alusão às dinâmicas de acumulação, exploração e expropriação realizadas na internet.
Por fim, a obra ‘Monturo’, uma instalação que convida o público a refletir sobre as relações de poder, tecnologia e natureza, propondo um olhar crítico sobre os caminhos que estamos construindo enquanto sociedade.