Quadrilhas, música e gastronomia: o que faz do Arraial de Belô uma experiência única
Tem gente que vai pela quadrilha.
Tem gente que não perde um show.
Tem quem passe boa parte do tempo na Vila Gastronômica, experimentando uma receita diferente, procurando aquele prato que lembra a infância ou descobrindo um novo sabor.
No Arraial de Belô, ninguém precisa escolher.
É justamente o encontro entre tradição, música e gastronomia que faz da festa uma experiência única. Há 47 edições, moradores e turistas encontram, em um mesmo lugar, tudo aquilo que faz parte da cultura junina mineira e é por isso que o Arraial de Belô se consolidou como um dos cinco maiores festejos juninos do Brasil e o principal das regiões Sudeste e Sul.
Em 2026, a festa acontece nos dias 24, 25 e 26 de julho e 1º e 2 de agosto, no Mineirinho, com entrada gratuita. Mas quem participa logo percebe que o Arraial começa muito antes da abertura dos portões.
Muito antes da primeira música tocar
Quando o público chega ao Mineirinho, tudo já está pronto. O figurino está passado. A maquiagem foi feita. O chapéu foi ajustado pela última vez. Mas o verdadeiro trabalho começou meses antes.
Nos bairros de Belo Horizonte, barracões se transformam em ateliês improvisados. Costureiras, quadrilheiros, marcadores, coreógrafos e famílias inteiras dedicam noites e fins de semana aos ensaios e aos preparativos das apresentações. É um movimento que atravessa gerações e mantém viva uma das manifestações mais tradicionais da cultura popular mineira.
É essa dedicação que chega à arena do Concurso Municipal de Quadrilhas.
Nesta edição, 42 quadrilhas da capital participam da competição. As 26 agremiações do Grupo de Acesso abrem a programação no primeiro fim de semana. Depois, as 16 quadrilhas do Grupo Especial encerram o concurso levando ao público apresentações marcadas por criatividade, técnica, emoção e identidade cultural.

Foto: Cesar Tropia/Acervo Belotur
Mais de 4 mil pessoas participam diretamente desse movimento, sem contar familiares, torcidas e moradores que acompanham cada apresentação. Para fortalecer esse trabalho, a Prefeitura de Belo Horizonte destinou mais de R$ 1,4 milhão às quadrilhas participantes, além de R$ 142,5 mil em premiações.
Mas talvez o maior reconhecimento não esteja nos números. Está nos aplausos que acompanham cada apresentação e ajudam a manter viva uma tradição construída coletivamente há décadas.
Quando termina uma apresentação, a festa muda de endereço
Enquanto uma quadrilha deixa a arena, a música já começa a chamar o público para outro espaço do Arraial.
Na área externa do Mineirinho, o palco recebe artistas de diferentes estilos, ampliando a programação sem perder a essência da festa. Afinal, em uma celebração da cultura popular, o forró continua sendo protagonista, mas divide espaço com ritmos que também fazem parte das festas brasileiras.
Ao longo dos cinco dias de evento, sobem ao palco Chama Chuva, Mumuzinho, Felipe Araújo, Pisa na Fulô e Zé Vaqueiro, além de artistas locais que ajudam a mostrar a diversidade da cena musical de Belo Horizonte.
É assim que o Arraial de Belô consegue agradar diferentes públicos. Quem chega para assistir às quadrilhas acaba ficando para os shows. Quem veio pela música descobre a força da tradição junina. E quem vem pela primeira vez entende rapidamente por que tanta gente faz questão de voltar.
Algumas memórias também têm sabor
E toda festa tem um cheiro que fica na memória.

No Arraial de Belô, ele pode vir de uma broa recém-saída do forno, de um prato típico servido ainda quente ou de uma receita criada por estudantes que estão dando os primeiros passos na gastronomia.
A Vila Gastronômica reúne diferentes formas de experimentar Belo Horizonte pela comida.
Os bares do Mercado Central levam ao Mineirinho receitas que fazem parte da identidade da cidade. Ao mesmo tempo, os vencedores do 7º Concurso Prato Junino apresentam ao público pratos criados dentro das faculdades e transformados em experiências reais de mercado.
Neste ano, o concurso teve como tema "Da Casca ao Coração: Sustentabilidade e o Aproveitamento Integral na Cozinha Junina Mineira", incentivando a criação de receitas que valorizam ingredientes típicos das festas juninas e mostram que tradição e inovação podem ocupar o mesmo prato.
A experiência se completa com os produtos do Concurso de Quitandas e Confeitarias, realizado pelo Sebrae Minas em parceria com a Belotur, reforçando um dos maiores patrimônios de Belo Horizonte: sua gastronomia, reconhecida mundialmente quando a cidade recebeu o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco.
O que faz tanta gente voltar todos os anos?
Talvez não seja apenas uma quadrilha.
Nem um show.
Nem um prato típico.
Talvez seja porque, no Arraial de Belô, tudo acontece ao mesmo tempo.
Enquanto uma família torce da arquibancada, outra canta em frente ao palco. Enquanto um grupo se emociona com a apresentação de uma quadrilha, outro descobre um novo sabor na Vila Gastronômica. Enquanto visitantes conhecem pela primeira vez uma tradição mineira, milhares de belo-horizontinos reencontram memórias que fazem parte da própria história.
É isso que transforma o Arraial de Belô em muito mais do que uma festa junina.
Transforma o evento em um lugar de encontros.
Entre gerações.
Entre tradições e novos talentos.
Entre quem chega pela primeira vez e quem faz questão de voltar todos os anos.
Porque algumas experiências só fazem sentido quando são vividas. E o Arraial de Belô é uma delas.
Te encontro no Arraial de Belô!
