No sânscrito (escrituras do conhecimento milenar védico da Índia) um conceito semelhante à Resiliência é Titiksha. Este conceito está relacionado com a tolerância de uma pessoa diante daquilo que lhe castiga ou abate.Titiksha pode indicar ainda uma resistência indulgente como reação contra aquilo que pretende aniquilar a natureza de um indivíduo. É neste sentido que o espetáculo tenta abordar o conceito de resiliência, partindo de um contexto histórico da humanidade, onde vários povos foram, e ainda são, forçados a abandonarem suas origens (crenças, costumes, culturas...). A obra faz uma tentativa de personificar este conceito, vislumbrando uma espécie de guerreira mística em movimento, que é a força desse desejo de manter a essência de um ser vivo, seja este uma planta, animal, pessoa, povo, tradição...
O solo experimenta universalizar esta personalidade, no sentido que ela possa representar o conceito numa posição mais abrangente. Pois é a partir da leitura da resiliência de povos explorados, que a personagem vai tomando forma até poder representar a força e a poesia de todo e qualquer ser, que confronta a fatídica necessidade de manter a sua essência diante de um mundo opressor.A inspiração inicial do tema veio da história de Ajuricaba, um índio guerreiro da tribo dos Manaós, que lutou contra a dominação de colonizadores que escravizavam os índios da região, e que após muita resistência, foi capturado e quando transportado para ser vendido como escravo, se joga no rio, acorrentado, preferindo a morte do que ser algo que jamais fora ou seria.