O “Letra em cena. Como ler...”, programa literário do Centro Cultural Unimed-BH Minas, apresenta no dia 23/8, terça-feira, às 20h, a obra de José J. Veiga sob o olhar de Ignácio de Loyola Brandão, membro da Academia Brasileira de Letras.
No canal oficial do Minas Tênis Clube no Youtube, José Eduardo Gonçalves, jornalista e curador do “Letra em cena. Como Ler...”, terá uma boa conversa sobre a obra do escritor que morreu em 1999. A leitura de textos será feita pelo ator Glicério do Rosário.
A classificação é livre. Ignácio de Loyola Brandão disse que o que o encanta na obra de José J. Veiga é “o insólito, a surpresa, o espanto, a imaginação, a coragem de apresentar tudo isso como coisas normais”, diz o escritor.
Autor de cerca de 19 livros e vencedor do Prêmio Jabuti em 1981, 1983, 1993, e do Prêmio Machado de Assis, em 1997, Ignácio aponta que a classificação da literatura de J.
Veiga não é interessante para os leitores. “Em lugar de usufruir, delirar junto e assimilar as “invenções” e surpresas de Veiga, os teóricos querem classificar, buscam explicar, clarificar.
Para quê? Para quê? É literatura. Muita gente - eu inclusive - considera normais todos aqueles momentos surpreendentes, não normais, que me encantam. Seja realismo mágico, ou fantástico, ou absurdo, são realidades para ele, para os personagens”, observa o acadêmico.
A obra de José J. Veiga apresenta o realismo mágico, o regionalismo, a visão realista, o nonsense, a irreverência, os simbolismos, a crítica da realidade brasileira, ironia e crítica social.
O fato de ter passado seus primeiros anos no interior de Goiás é determinante nas temáticas de seus livros. “Poucos acreditam que o campo, a vida ali, as crendices e religiões, os costumes são absolutamente fantásticos, surpreendentes. Há coisas que acontecem ali que fogem ao entendimento.
Do mesmo modo que chegar o computador, o celular, a internet, as redes sociais, os hackers, a inteligência artificial, ou seja, como coisas normais de um mundo inexplicável que existe além do entendimento “normal””, atesta Loyola.
O acadêmico afirma que mesmo a literatura levando o homem para o mundo onírico, “há as questões “normais”, o mundo normal, e há um mundo paralelo que se entremostra eventualmente, nos desafiando. Mas os problemas do homem continuam iguais, isto é, perplexidade e incompreensão.
O homem não entende nada que é diferente e tem medo”. Loyola indica alguns livros para se começar a entender e apreciar a obra de José J. Veiga. “Além dos inevitáveis” “Sombras de Reis Barbudos”, “A Hora dos Ruminantes”, “Quando a terra era redonda”, que é atualíssimo”.