Palestra: "No centenário do trovador Soares da Cunha" - AML
A palestra conta com reflexões sobre a obra de Soares da Cunha como poeta que se identificou mais com o gênero das Trovas.
“A Trova de certa forma pode ser entendida como um terceiro elemento numa Trindade. Considerada ‘da gente’, na simplicidade, harmonia e musicalidade, a Trova era associada à poética da Era Medieval.
É dito que Jorge Amado reconhecia a Trova como o gênero literário mais prosaico e no entanto o que ecoa com maior intensidade na alma da multidão.
Por meio dela, a massa se conecta à arte da poesia.
Por esta razão dizem alguns que a Trova e o Trovador são eternos.
A trova dos amigos é sem dúvida a que mais ressoa dentro desta percepção pois é bastante conhecida”, explica a palestrante.
Teremos a participação de alguns desses amigos no vídeo aula. Lenora Cunha ressalta também que, de temperamento introspectivo e melancólico, Soares da Cunha expressou também um humor cáustico e irônico.
De recolhido e menos sociável oscilava também em ciclos de expansão desmedida muitas vezes desafiadora e transgressora.
Um grande desafio na manifestação e no equilíbrio de sua expressão criativa. Se reconhecendo talvez mais como filósofo do que mesmo como poeta, tendo como tema de maior interesse a morte (dito por ele mesmo) Soares da Cunha também se dedicou a escrever Sonetos e Pensamentos.
Em parceria de mútua sensibilidade com sua esposa Ivelyse Carmelita, que se dedicou à pintura e também ao canto, publicaram juntos o Livro das Trovas totalmente manuscrito e ilustrado por ela.
Em ambiente especialmente sensível à arte desenvolveu-se a inspiração da filha caçula Cristiana Lobo, que é interprete e compositora além também de psicóloga.
Ao final da palestra, Lenora Cunha apresentará um vídeo de Christiana Lobo interpretando "Barcarola" cuja letra é poema de Soares da Cunha.