O escritor Luiz Ruffato é o convidado do Sempre Um Papo na próxima sexta-feira, 13 de janeiro, para falar sobre o seu novo romance “O antigo futuro” (Cia das Letras).
A conversa será mediada pela jornalista Jozane Faleiro, vai ao ar pelo canal do YouTube do Sempre Um Papo , com acesso gratuito e tradução em Libras.
“O antigo futuro” Nos Estados Unidos, Alex leva a típica vida dos imigrantes: trabalha muito, economiza o quanto pode, desconfia de todos e tem dificuldade para fazer amigos e se integrar.
Muda de cidade e emprego o tempo todo, sempre em busca de aluguéis mais baratos e de uma remuneração que lhe permita enviar mais dinheiro ao Brasil.
No pouco descanso entre as jornadas exaustivas, rememora episódios de seu passado e o motivo pelo qual foi empurrado a deixar sua vida anterior, num bairro de classe média baixa em São Paulo – o assassinato do irmão e do cunhado num assalto.
Em uma sucessão de flashbacks, conhecemos a relação ao mesmo tempo próxima e distante de Alex com o pai e os irmãos, a ausência da mãe, a timidez da juventude e seus sonhos frustrados. Porém, “O antigo futuro” aponta para muito além do nascimento do Alex, e aquilo que parecia ser a história de uma única vida acaba se tornando um panorama complexo da vida brasileira no século vinte.
A partir daí, a obra acompanhará os homens da família Bortoletto em locais tão díspares como Somerville, São Paulo, Rodeiro e Cataguases, em Minas Gerais.
O golpe militar e a inflação dos anos 1980, o êxodo rural dos anos 1940, a adaptação da primeira geração de italianos recém-chegados ao Brasil – todos esses eventos perpassam as trajetórias do pai, avô e bisavô enquanto nascem, crescem, constituem família e travam uma batalha incessante para deixar melhores condições de vida à geração seguinte.
De estrutura vertiginosa, dividido em cem breves capítulos, “O antigo futuro” explora em uma prosa direta e requintada a permanência e a transformação de padrões familiares ao longo do tempo, num país que parece não apresentar saídas.
E nos mostra sobretudo que, após mais de duas décadas desde sua estreia, Luiz Ruffato permanece como uma das vozes mais inventivas da literatura nacional.