Depois de estrear na França e Alemanha, Sem Palavras foi apresentado no Brasil nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Santos e Brasília. O novo espetáculo da companhia brasileira de teatro tem direção e texto de Marcio Abreu. Com música ao vivo executada por Felipe Storino, Sem Palavras tem em seu elenco Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventanía Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza. Sobre a dramaturgia, Marcio Abreu a localiza no tempo e espaço: “o texto de Sem Palavras foi escrito em um processo bastante singular, que foi atravessado por essa pandemia e pelo distanciamento da sala de ensaio.
Essa experiência influencia bastante na linguagem do espetáculo e eu quis que isso acontecesse, assim o texto tem essa relação com o real. Ele responde também às condições do mundo e do país e é um gesto artístico de reação a tudo isso”, diz Marcio Abreu. Sem Palavras flagra os deslocamentos e travessias que ocorrem durante um dia ao redor de um apartamento. Oito pessoas de diferentes corpos, imagens sociais, referências, histórias de vida e mundos imaginados passam por ali e são a base para reflexões sobre a palavra e também sua ausência, já que o espetáculo aposta em visualidades que comunicam ao público sem uso da linguagem textual. São múltiplas personalidades que podem (ou não) habitar um mesmo espaço, um mesmo corpo.
A criação do Sem Palavras evidencia um tempo em que as palavras não dão mais conta, quando elas são insuficientes para refletir os acontecimentos em sua velocidade desmedida, quando reivindicam sua dimensão política e poética, quando querem reverberar não como lugar de poder, mas como corpo íntegro e permeável na sociedade, quando querem ativar a escuta e conviver com outras palavras, com outros corpos. "Fica evidente que a história do Brasil é criada também pelas palavras que não foram ditas ou que não são escutadas.
A língua é um lugar que se habita, a linguagem é um território de existência. Entender um Brasil como um país formado por muitas histórias que não foram contadas mostra como reivindicar a palavra é algo urgente", diz Marcio Abreu. Para ele, um dos maiores desafios impostos pela peça foi contextualizá-la neste lugar em que as cenas faladas e as sem palavras tivessem impacto e uma pesquisa dramatúrgica ampla. "Fazer essa separação de texto e dramaturgia foi muito importante no nosso processo. Trata-se de uma escolha ética, estética e política", completa. A atual montagem, junto com PROJETO bRASIL e PRETO, compõem uma espécie de trilogia feita pela companhia para refletir territórios em que palavra e corpo são elementos indissociáveis, que usam da dinâmica da interação entre linguagens diversas e abordam temas ligados aos pensamentos decoloniais e às urgentes e vertiginosas transformações das sociedades contemporâneas.
Sem Palavras fez uma temporada de 20 sessões no Sesc Pompeia, em SP, 2 sessões na Ocupação Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, do Sesc SP, 4 sessões no Itaú Cultural em SP, 2 sessões no Festival Cena Contemporânea em Brasília/DF, 06 ensaios abertos no Teatro Oi Futuro e 12 sessões no Teatro Firjan SESI Centro, ambos no Rio de Janeiro/RJ. Antes, a peça esteve em turnê na França (no Thèâtre Bernard-Marie Koltès pelo PASSAGES TransFestival, em Metz, e no Parvis Saint-Jean pelo CDN Dijon Bourgogne, em Dijon) e na Alemanha (no Künstlerhaus Mousonturm, em Frankfurt); e realizou uma série de atividades online e presenciais de seu processo no Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro.
O espetáculo foi ganhador do Prêmio Shell de Teatro 2023 de Melhor Dramaturgia, e indicado às categorias Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Atriz (Vini Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza), Melhor Ator (Fábio Osório Monteiro). A peça ainda está indicada ao Prêmio Cesgranrio de Teatro 2023 (resultados em junho) de Melhor Texto e Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Espetáculo, Melhor Elenco e Prêmio Especial pela Direção de Movimento (Kenia Dias) e ao Prêmio APTR (resultados em junho) nas categorias Melhor Texto e Melhor Direção (Marcio Abreu), Melhor Direção de Movimento (Kenia Dias) e Melhor Espetáculo.