Concebido como uma experiência imersiva, “Carmina Burana Ballet” transforma o palco em um ritual visual e emocional ao fundir dança contemporânea, música e tecnologia. A célebre cantata de Carl Orff, composta em 1936 a partir de poemas medievais encontrados no mosteiro bávaro de Benediktbeuern, ganha nova dimensão cênica por meio de uma encenação que amplia os limites da percepção sensorial, com uso de videomapping, luz e cenário digital.
Sob a direção artística e coreográfica dos portugueses Cláudia Martins e Rafael Carriço, a obra revisita temas universais como destino, desejo, fé, poder e transitoriedade da vida, tendo a figura da Fortuna como eixo simbólico central. O que antes era uma cantata coral transforma-se, em cena, em uma dramaturgia do corpo e da alma, estabelecendo um diálogo potente entre o sagrado e o profano, o humano e o transcendente.
Criada originalmente nos claustros do Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, a montagem parte de uma profunda reflexão sobre confinamento, fisicalidade e necessidade de transcendência. A intensidade física dos intérpretes, aliada à sofisticação estética e ao uso inovador de recursos tecnológicos, conduz o público por uma jornada que oscila entre êxtase e redenção, queda e libertação.