A Pró-Reitoria de Cultura da UFMG, por meio do Centro Cultural UFMG, convida para a abertura da exposição ‘Respiração’, da escultora, gravadora, desenhista e professora Shirley Paes Leme, na quinta-feira, dia 20 de julho de 2023, às 19 horas.
A mostra tem curadoria de Paula Borghi e integra a programação do 55º Festival de Inverno UFMG. As obras poderão ser vistas até 13 de agosto de 2023. A entrada é gratuita e tem classificação livre. ‘Respiração’ flerta com a herança construtivista e seus desdobramentos.
Não pretende evocar o programa construtivista brasileiro, não há desejo de propor significações para sua continuidade, mas ampliar os meios de acesso à obra pela forma, com outros modos de ordenar o espaço visual e a geometria sensibilizada pela vida. “A ideia do trabalho é a noção de alerta e a percepção aguçada do tempo, rememorando pistas, rastros e restos da vida cotidiana. Ao utilizar filtros de ar-condicionado de carros evoca-se a relação estreita com o ar da cidade, o ar que respiramos.
Toda a energia vital está na respiração. O controle de tudo, no ser vivo, está na respiração”, reflete Shirley. Assim como a vida, repleta de acasos e caminhos não retilíneos, as obras espelham as possibilidades combinatórias e aleatórias da geometria, sem perder o contato com o cotidiano. Formas que geram fluxo e contenção de fluxo, dispostas em arranjos simétricos, trazem consigo a lembrança do aparelho de ar-condicionado do teto do hospital onde a artista costuma frequentar.
Paes Leme afirma que a arte é um meio de assimilação do mundo e através dela se conquista a realidade subjetiva de transformação. Seu trabalho, nos últimos 40 anos, dialoga com a memória, a literatura e a experimentação, acentuando o conceito de tempo, de lugar, de espaço vernacular e urbano, trazendo à tona os resíduos, os rastros e os restos do cotidiano sensível. Segundo Paula Borghi, curadora da mostra, “picumã, uma teia de aranha negra tomada pela ação da fuligem, é a referência germe da produção da artista, que desde os tempos da graduação trabalha exaustivamente com o ar e o fogo. De forma direta ou indireta é possível notar, em sua trajetória, a presença ativa destes dois elementos.
Indo além, se o domínio do fogo marca um divisor de águas na história da humanidade, com a obra de Shirley Paes Leme não é diferente”. “São trabalhos que alertam sobre os perigos do Antropoceno; período em que o impacto humano sobre a Terra é tão intenso que mudou seu tempo geológico, de modo que ela não consegue mais se regenerar. ‘Respiração’ não deixa dúvidas de que, se a humanidade não rever seus hábitos agora, em pouco tempo não será mais possível respirar”, conclui a curadora.