O Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, apresenta ECOTOPIA, exposição individual do médico e artista visual Gui Mazzoni, em cartaz até 8 de março de 2026, com entrada gratuita. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra reúne 34 obras produzidas a partir de uma técnica criada pelo próprio artista: a sonofotografia.
Utilizando o equipamento de ultrassonografia de forma não convencional, Mazzoni transforma sons inaudíveis em imagens. O transdutor, normalmente usado para exames médicos, passa a funcionar como um pincel, deslizando sobre o corpo do artista e captando vibrações que se convertem em composições visuais abstratas, densas e poéticas.
As obras de ECOTOPIA nascem do interior do próprio corpo e revelam uma paisagem formada por ecos, frequências e movimentos invisíveis. São autorretratos sonoros que se afastam dos protocolos clínicos para explorar novas possibilidades estéticas, criando uma zona de encontro entre ciência, arte e sensibilidade.
Grande parte dos trabalhos apresentados é inédita e resulta, inclusive, de processos inesperados, como falhas técnicas e “erros” no tratamento das imagens, incorporados pelo artista como parte fundamental da criação. Para Mazzoni, o erro deixa de ser um desvio e passa a ser um motor poético.
Médico ultrassonografista e pesquisador, com mestrado e doutorado pela UFMG, Gui Mazzoni desenvolve essa pesquisa há mais de uma década. Em 2016, passou a divulgar publicamente sua produção, consolidando uma trajetória marcada pela fusão entre conhecimento científico e investigação artística. Em 2026, o artista comemora dez anos de carreira.
Além das obras impressas em papel algodão e tecido, a exposição inclui trabalhos em backlight, estruturas interativas com espelhos, além de um vídeo que apresenta imagens em movimento, ampliando a experiência sensorial do visitante.
Na curadoria, Eder Chiodetto destaca a potência simbólica dessas imagens, que funcionam como partituras visuais, capazes de fazer emergir um corpo expandido, em constante diálogo com o espaço, o som e o tempo.
ECOTOPIA convida o público a repensar seus limites sensoriais e a perceber o corpo como energia em fluxo contínuo, atravessada por ciência, memória e imaginação