Estreia dia 02 de fevereiro, no Parque do Palácio, a exposição "(i)móveis", do arquiteto e designer Porfírio Valladares, que explora a relação entre morar em prédios e os móveis gaveteiros.
A ideia surgiu a partir do pensamento sobre “morar em gavetas”, e por meio desses objetos, Porfírio faz uma analogia das gavetas com as moradias urbanas e a vida nas grandes cidades. "Pensei em construir uma cidade com eles.
Originalmente produzi 18 prédios/gaveteiros inventados por mim. Não são réplicas de prédios existentes, mas remetem à imagem de estilos de época que foram ou ainda são recorrentes na produção de moradias pelo mercado imobiliário.
Pode-se ver o Art Déco, o Modernismo, o Neoclassicismo, o Brutalismo e por aí vai", completa ele.
Os prédios anônimos, de arquitetura ordinária e comum foram a fonte de inspiração. Por isto, não é difícil identificar elementos de estilos de época na “arquitetura” de alguns dos (i)móveis. Eles espelham o que se vê nas ruas das cidades, desde que se começou a construir prédios até os dias de hoje.
São prédios que também são móveis e ao mesmo tempo, arte. Para esta exposição no Parque do Palácio, serão 10 prédios/gaveteiros expostos e que estarão à venda.
“A mostra é também uma homenagem ao meu amigo Zé Dias, marceneiro talentoso que me acompanha desde o início, há mais de 35 anos, e que construiu ao meu lado os (i)móveis durante 2 anos" conta Porfírio.
Texturas e tons das estrias da madeira, o corte e o encaixe, os elementos vazados e os acabamentos perfeitos revelam a poética das obras utilitárias.
Todos os (i)móveis apresentados são gaveteiros, caixas dentro de caixas, que podem ‘guardar’ coisas de maneira organizada ou não.
As peças foram elaboradas com freijó maciço, lâminas aplicadas sobre painéis de compensado multilaminado, e lâminas de imbuia para fazer as vezes de vidro, todas encaixadas, coladas e envernizadas. "Meus (i)móveis não se inscrevem na instância da arte, na medida em que servem para guardar e organizar coisas.