A partir de ingredientes “do fim do mundo” da Pan-Asia (Turquia, Índia, China, Coreia do Sul, Indonésia e Japão) encontrados em São Paulo (nos bairros da Liberdade e Bom Retiro) e trazidos à Belo Horizonte, para a cozinha da GAL, inicia-se a residência artística “Cozinha do Fim do Mundo” que tem como proposta integrar-se à paisagem da cidade, miscigenando os ingredientes estrangeiros com os produtos locais (agrícolas ou industriais, endêmicos ou imigrados) juntamente com um laboratório de fermentações instalado na cozinha, para encontrar uma “Cozinha do Fim do Mundo”. “Alimentar-se é fazer com que o universo exterior transite o universo interior, criando uma presentificação impermanente e uma sincronia efêmera no instante da refeição.
Se somos aquilo que comemos, nosso discurso sustenta-se diante daquilo que fortalece nossa voz, ou entramos em contradição? Que lições diárias aprendemos com a ingestão, digestão e dejeção de um universo de consumo com data de validade?
Quais as possibilidades de hackear nossos corpos com alterações (radicais ou progressivas) daquilo que nos compõe diariamente?” indaga Shima.
O Código de Barras é uma representação gráfica de uma sequência numérica sintetizada em barras paralelas brancas e pretas de espessuras variadas.
A leitura, semelhante à lógica binária, traduz os “cheios e vazios” do código em uma sequência numérica única para identificar um produto. Todo produto industrial carrega em sua identidade um código de barras.
A lógica capitalista neoliberal e os inúmeros discursos cerceados por idéias politizadas e posicionamentos éticos criaram uma miríade de produtos (lê-se também “código de barras”) para atender inúmeras demandas, fazendo que o consumo seja o próprio discurso do existir, pertencer e habitar este mundo, causando ojeriza para uns, e idolatria para outros. Vivemos um período de polarização proporcional à globalização do mundo.
Se em 1960 um navio levava cerca de 8 semanas para cruzar metade do planeta, hoje a média de tempo é de no máximo 21 dias, com o dobro de paradas do itinerário de 60 anos atrás.
A facilidade de acesso a produtos “do outro lado do mundo” é a mesma que países do extremo oriente tem a produtos agrícolas brasileiros, como carnes (aves, bovinos e suínos), frutas (banana, laranja) e matérias-primas (açúcar, petróleo, café).