Representatividade, glamour, liberdade. A mostra “Montadas – A Arte Drag no Cinema”, que acontece de 9 a 18 de junho, no Palácio das Artes, traz mais do que filmes para a programação do Cine Humberto Mauro.
A iniciativa busca explorar a sétima arte como uma âncora cultural e como um meio para refletir importantes questões da sociedade.
Com doze filmes clássicos reunidos, o público vai poder mergulhar em um universo de expressão artística e diversidade, onde Drag Queens e Drag Kings são as estrelas das produções cinematográficas. O evento é gratuito e os ingressos devem ser retirados uma hora antes de cada sessão.
O produtor de programação do Cine Humberto Mauro, Rodrigo Azevedo, explica um pouco sobre o objetivo da mostra e a sua relevância. “Iremos, sobretudo, exibir filmes que deram passos iniciais em direção a representatividade drag.
Através de narrativas inspiradoras e personagens carismáticos, acreditamos que as obras selecionadas estimulam diálogos sobre identidade, auto expressão e igualdade”, conta. Um dos destaques da programação é o filme “Quanto mais quente melhor”, de Billy Wilder, que traz em sua trama a história de dois homens que, para fugir da máfia, se juntam a uma banda de jazz feminino se trajando como mulher.
Considerado um dos melhores filmes de comédia da história do cinema, essa obra ousou ao trazer temas como a homossexualidade e o transformismo em 1959. Se comentar tais temas ainda é um tabu para o cinema, na época essa abordagem realizada através da comédia foi um sucesso de bilheteria.
A mostra também traz a obra de Blake Edwards, “Victor ou Vitória?”, costumeiramente chamado de irmão cinematográfico de “Quanto Mais Quente Melhor”. A obra conta a história de Victoria Grant, uma cantora lírica desempregada, que junto com Carrol Todd, um cantor que recentemente perdeu o emprego, articulam um plano para levá-la ao sucesso: Vic se passará por um homem, o “transformista” Conde Victor Grezhinski.
Além desses trabalhos, outros dez filmes compõem a mostra e trazem histórias consideradas icônicas, com grandes atuações e que marcaram a história do cinema. “Esperamos que essa mostra seja uma experiência enriquecedora, mas aberta, que gere reflexões sobre questões de representatividade no cinema.
Que esses filmes possam seduzir olhares e entusiasmar o interesse por mergulhos mais profundos, por mais filmes com personagens assim, que vão das margens até os palcos – e até as câmeras –, explorando a fluidez e a diversidade de expressões de gênero em uma potência transgressora, de uma exuberância extraordinária” afirma Rodrigo.