om mais de 50 filmes no currículo e tendo estreado na direção em 1956, com o curta “La tarde del domingo”, o cineasta espanhol Carlos Saura é tema da próxima mostra do Cine Humberto Mauro.
Considerado um dos maiores diretores espanhóis do século XX e também um dos mais importantes da história do cinema, o realizador, morto este ano, será homenageado com “As alegorias de Carlos Saura”, que entra em cartaz nesta quarta-feira (28/06), às 17h, com a exibição de “Cria Cuervos” (1976).
O evento, que traz ainda os trabalhos “A Caça” (1966), “Elisa, Vida Minha” (1977), “Mamãe Faz 100 Anos” (1979), “Bodas de Sangue” (1981), “Ai, Carmela!” (1990), “Goya” (1999) e “Ibéria” (2005), é fruto de uma parceria entre a Fundação Clóvis Salgado e o Instituto Cervantes de Belo Horizonte.
A programação é gratuita e segue até 5 de julho. A mostra passeia pela carreira prolífica do diretor e evidencia as diversas linguagens e estéticas que Saura incorporou em seu trabalho ao longo de mais de 60 anos de trajetória.
O diretor abordou os mais variados temas em sua cinematografia, como a burguesia, o conservadorismo, a Guerra Civil Espanhola e a ditadura de Franco, que assolou a Espanha de 1939 a 1975 e censurou as obras de Saura. “Enquanto os filmes do realizar eram censurados em seu próprio país pela ditadura franquista, Carlos Saura era recebido e celebrado pelos principais festivais europeus, como Cannes e Berlim.
O diretor trabalhou inúmeras linguagens em seus trabalhos. O realismo social alegórico foi a que mais se destacou e a que melhor o define. Ele queria fazer um cinema tanto autoral quanto popular”, explica Vitor Miranda, gerente do Cine Humberto Mauro.
Muito respeitado por seus pares, inclusive Luis Buñuel e Stanley Kubrick, o cineasta mistura o real com o sonho, o passado com o presente. “O cinema do diretor é um ponto de intersecção entre Buñuel, que é uma de suas influencias mais fortes, e Pedro Almodóvar, influenciado pelo próprio Saura”, pontua Vitor Miranda.