O Complexo Cultural Funarte MG recebe, do dia 28/10 até o dia 02/11, a Mostra Poética da Atitude: o tempo no corpo, o corpo no tempo, realizada pelo grupo Teatro Negro e Atitude, em celebração aos 30 anos de carreira de evandro nunes - diretor, ator, dramaturgo, arte-educador e um dos fundadores do grupo. A entrada é franca e os ingressos podem ser adquiridos na bio do instagram do @teatronegroeatitude. É impossível cartografar a cena teatral de Belo Horizonte sem a presença divertida, debochada, generosa e politicamente afetuosa de evandro nunes - assim mesmo, em minúsculas, com a pensadora feminista bell hooks.
Mineiro de Belo Horizonte, criado entre a capital e Santa Luzia (região metropolitana), evandro nunes é doutor em educação e uma das figuras mais importantes do teatro negro em Minas Gerais. Co-fundador do grupo Teatro Negro e Atitude, participou da construção da segunda Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de BH e é um dos idealizadores da primeira Parada Gay Negra da cidade. Sua trajetória articula arte, militância e pedagogia, transformando o palco em território de invenção e afirmação das existências negras. A mostra propõe um espaço de celebração e reflexão sobre as teatralidades negras, em diálogo direto com as ideias de “Poética da Negrura” e “Estética da Atitude”, conceitos desenvolvidos por nunes ao longo de sua carreira. O projeto curatorial estabelece pontes entre obras que elaboram poeticamente questões como ancestralidade, memória, corpo e reposicionamento da negrura na cena contemporânea, reafirmando o teatro como campo de resistência e reexistência.
As oficinas formativas incentivam novas gerações de artistas e educadores, valorizando práticas cênicas ligadas à ancestralidade e à memória. Já as rodas de conversa - realizadas após as apresentações - promovem trocas entre criadores, público e pesquisadores, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando o pensamento crítico sobre o teatro negro. A Mostra Poética da Atitude: o tempo no corpo, o corpo no tempo reafirma o compromisso com a formação de público, a valorização da cultura afro-brasileira e a consolidação de uma plataforma de intercâmbio entre artistas, pesquisadores e comunidade. É um gesto político e poético de continuidade - de um corpo que resiste, cria e celebra.