Três mulheres tecem, no palco, ausências e dores que costuram seus caminhos.
A primeira tenta equilibrar as pressões de múltiplos papéis sociais, para agarrar o tempo e ser apenas o que deseja ser.
A segunda enfrenta uma sociedade capacitista, que não compreende a deficiência nem enxerga a mulher além das muletas.
E a terceira chega aos 46 anos, sem filhos, com o desafio de resistir às perguntas e imposições do culto à maternidade.
Esta tríade é ponto de partida de “Tecituras em Dança”, espetáculo de estreia da Companhia Kinesis de Dança, que foi apresentado, pela primeira vez, em 2022, no Teatro João Ceschiatti.
Sucesso de público na primeira temporada, um ano depois, a reapresentação segue o roteiro original, mas novos movimentos e emoções foram incluídos, devido a reflexões acerca do próprio processo de criação.
O trabalho é fruto de uma pesquisa de dois anos e foi dirigido por Renatha Maia, fundadora e idealizadora do espaço Kinesis Dança.
Expressão.Arte, a partir de uma metodologia própria, que tem como fundamento o Sistema Laban de Análise do Movimento desenvolvido pelo húngaro Rudolf Laban, considerado um dos grandes teóricos da dança do século XX e o "pai da dança-teatro".
O resultado, visto no espetáculo “Tecituras em Dança”, é uma criação coletiva, em que as três bailarinas atuam como intérpretes criadoras, pesquisando não somente os movimentos, mas também as músicas e os figurinos.