A poeta e pesquisadora Bruna Kalil Othero fala sobre seu livro "Oswald pede a Tarsila que lave suas cuecas", premiado pelo Ministério da Cultura, em 2018, e explica o seu interesse em estudar o Modernismo, além de analisar o legado do Movimento para a história da Cultura no Brasil.
A escritora, dramaturga, crítica, jornalista, ativista e cartunista Patrícia Galvão, a Pagu, tem destaque ao longo da entrevista. Bruna é estudiosa da obra de Pagu, de quem a escritora comenta o livro de estreia, "Parque Industrial", escrito em 1931 e lançado em 1933, quando a autora tinha apenas vinte e dois anos.
Conhecido como o primeiro romance proletário da Literatura Brasileira, "Parque Industrial" mostra a tensão entre os burgueses e os operários na São Paulo dos anos trinta e apresenta personagens inesquecíveis, como Rosinha Lituana, Alfredo Rocha e Corina.
Muito à frente de seu tempo, o livro aborda questões até hoje atualíssimas, como o racismo, o machismo e os limites do feminismo.
Na entrevista, Bruna Kalil afirma que o bairro operário do Brás, na capital paulista, é também um 'personagem' fundamental de "Parque Industrial".
Ao contrário do que grande parte da crítica afirma, o tom panfletário muitas vezes encontrado nessa narrativa não é um defeito, mas uma qualidade da obra de Pagu.
Finalmente, a entrevistada reflete sobre o rico legado de Patrícia Galvão que, para ela, é um forte exemplo de uma mulher múltipla e que soube, como poucas, afirmar sua liberdade.