Com uma narrativa musical composta por dança contemporânea e releituras dos movimentos Soul e Passinho de BH, o grupo Corpolitico apresenta o espetáculo Barravento que traz uma linha cronológica das sonoridades afro brasileiras até chegar ao funk nacional da atualidade, enfatizando suas raízes nos ritmos do candomblé, Barravento e o Congo de Ouro.
A estreia de Barravento será na sexta-feira (19/05), às 20h, no Teatro Francisco Nunes.
Antes disso, diferentes espaços culturais receberão uma prévia com recortes do espetáculo.
A entrada é gratuita. Barravento surgiu da proposta do evento Ocupar Espaços em 2019, realizado no Centro de Referência das Juventudes (CRJ).
A convite da ONG Oficina de Imagens, o grupo CorpolItico traçou um diálogo entre dança e tecnologias experimentais de iluminação, tendo o funk como tema central, com o intuito de trazer protagonismo às emergentes manifestações das juventudes.
“O espetáculo Barravento vem pra ser algo divertido, pra quem dança e pra quem assiste, e principalmente dar protagonismo a diversidade de corpos, ritmos, expressões, vistas a margem muitas vezes, e de forma muito séria propomos a despretensão.
A cena artística precisa entender que o público se sente distante, e pouco representado, a juventude se interessa por aquilo que está próximo e essa foi a maior inspiração para a criação do espetáculo: algo que despertasse o interesse dos jovens que ocupam o Centro de Referência de Juventudes”, explica um dos diretores artísticos, Leonardo Molina.
Com nove bailarinos em cena, Barravento remonta a um percurso transatlântico dos ritmos e gestos, trazidos do povo Bantu, Malê, Yoruba, Nagô.
Inspirado nos ritmos do candomblé que originou o funk como é conhecido hoje, os bailarinos mergulham em sonoridades, demonstrando profundo respeito à natureza, aos ancestrais, e à infinita possibilidade das juventudes.
A produção faz uma linha abstrata homenageando culturas periféricas e dando palco às singularidades emergentes.
O projeto é realizado pelo Edital Lmic 2020 – Fundo Municipal de Cultura. “Além das sonoridades africanas, também referenciamos o espetáculo no filme Barravento, do diretor Glauber Rocha, que conta o romance de um pescador que recebe a benção da Iemanjá para navegar nos mares com a tripulação e garantir alimentação e renda da população local.
O pescador abençoado não pode se relacionar com outras pessoas, senão perde a bênção e se torna vulnerável aos males que podem ocorrer quando em alto-mar.
O pescador cai em tentação e se relaciona carnalmente com uma moradora local, perdendo a benção e trazendo vulnerabilidade para toda vila”, explica Rudson Rocha, um dos diretores artísticos da montagem.