Refletir criticamente sobre as violências vividas no processo de formação até a carreira profissional na dança.
Esse é um dos motes da concepção do espetáculo FRESTA.
O trabalho surge do reencontro entre oito artistas da dança e coloca em pauta as discussões acerca das agruras envolvidas nos percursos da vida artística, tensionando os afetos, as feridas e as cicatrizes experienciadas ao longo das trajetórias de cada um dos integrantes do coletivo bOca.
O espetáculo será encenado no sábado (29/04), às 20h, e no domingo (30/04), às 19h, no Teatro Raul Belém Machado, em Belo Horizonte.
A estreia vai contar com audiodescrição.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e conta com patrocínio da MGS.
O trabalho, que tem direção cênica dos artistas Sílvia Maia e Léo Garcia e foi cocriado pelos bailarinos Amanda Sant’ana, Bárbara Maia, Dalton Correia, Elton de Souza e Ludmilla Ferrara, leva ao público os entrelaçamentos das vivências do coletivo e se manifesta nos gestos que permitem significar as imagens presentes no espetáculo.
As discussões que permeiam FRESTA trazem para a cena provocações coreográficas desenvolvidas a partir de questões formuladas por Sílvia ao elenco: o que você quer falar? | o que você não engoliu, o que cuspiria? | o que você lamenta?
As respostas ganharam vida nos movimentos dos bailarinos e se tornaram material para os processos criativos que moldaram os alicerces da montagem.
FRESTA é o primeiro trabalho realizado pelo coletivo bOca e surgiu com a proposta de ser um dedo na ferida. “A ideia é mover os corpos para abrir espaço e investigar os modos de fazer e pensar a dança pelos integrantes do grupo.
O espetáculo busca se desviar das constantes opressões e violências constitutivas no meio da dança e refletir sobre questões contemporâneas, como os lugares forçosamente destinados a certas minorias”, explica Sílvia Maia.