O Átimo Coletivo, formado por Bárbara Maia, Gustavo Felix e Emília Gomes, apresenta a videodança “Adentro”, que tece diálogos entre a criação musical e a criação em dança.
A montagem tem atuação, direção e coreografia de Bárbara Maia e nasce dos seus atravessamentos autobiográficos com sua avó materna, Maria de Sousa Miranda, falecida há 45 anos.
Um solo desenhado a partir das vozes que ecoam sobre essa mulher, dada a impossibilidade do encontro físico.
Um trajeto permeado por escutas e invenções, criando caminhos de encontro, retornando ao lugar vivido e construindo outras poéticas no agora.
A apresentação estreia no dia 10 de setembro, sexta-feira, às 21h, com acesso gratuito e classificação livre, pelo canal do Youtube de Barbara Maia , com versão também em audiodescrição.
O músico Gustavo Felix, além de atuar como instrumentista na montagem, trabalhou na composição sonora, que é interpretada pela cantora Juliana Amaral e também pelos instrumentistas Alef Caetano, Diego Mancini e Pedro Ramalho.
Para a escolha da linguagem da videodança, situada na interação entre dança e cinema, foram convidadas a diretora de fotografia e videomaker Luísa Machala, cujas pesquisas e experimentações artísticas situam-se nesta temática; e a colorista Luiza Almeida, da Rec Color.
Emília Gomes é a responsável pela audiodescrição, pensada como recurso de acessibilidade e como camada a criar poéticas para o público de pessoas cegas ou com baixa visão. Bárbara Maia conta que cresceu escutando sobre a sua avó, Maria de Sousa Miranda (1936-1976), nascida no bairro Castro, na cidade de Entre Rios de Minas, onde ela teve os filhos e onde faleceu, aos 40 anos.
“Cresci escutando sobre minha avó, sua força e sentindo como seu percurso segue ecoando aqui, na minha presença. Para este trabalho, voltei à casa onde ela residiu.
Sabia desde o princípio da pesquisa coreográfica que os registros fotográficos sobre ela eram escassos; duas fotos, para ser exata.
Adentrei nas memórias faladas, na história oral, contada por pessoas que com ela conviveram”, explica Bárbara. Nesse caminho, a coreógrafa percebeu que estava a lidar com frestas entre uma e outra história; com ausências de lembranças sobre alguns dos períodos da vida da avó; e com a possibilidade da imaginação sobre seus gestos.
“Estava a escutar, pelas palavras de quem se dispôs a partilhar memórias, também sobre as ausências.
Me vi, então, criando sobre os espaços entre uma fala e outra, entre um gesto e outro das pessoas entrevistadas, abraçando a inexatidão daquilo que encontrei e confiando nas sensações que se transformavam em meu corpo”, adianta a dançarina.