A exposição reúne um conjunto de trabalhos fotográficos desenvolvidos a partir de derivas pela cidade de Santa Luzia (MG), investigando a fotografia como construção narrativa simultânea, atravessada pelo acaso, pelo deslocamento e pela experiência do tempo.
As imagens emergem do acúmulo de registros de lugares de afeto e de memória histórica do artista. Por meio da fotomontagem digital, baseada na sobreposição de camadas, essas paisagens são reelaboradas e apresentadas em tonalidade sépia, evocando um percurso urbano marcado pela nostalgia.
Fragmentos do trajeto colidem e se entrelaçam em um único enquadramento visual, onde início, meio e fim deixam de obedecer a uma linearidade e passam a coexistir no mesmo espaço, condensando tempos e experiências em uma só imagem.
O trabalho propõe tensionar a noção do instante fotográfico, deslocando a percepção linear do tempo e aproximando a imagem de um fluxo contínuo de vivências. Ao sobrepor fragmentos dos diversos espaços que atravessou, Gui Orzil revela desejos estéticos e afetivos que emergem, muitas vezes, de camadas inconscientes.
O espectador é, então, convidado a construir sua própria narrativa, criar conceitos, conhecer percursos e experimentar a cidade a partir de sua própria vivência, envolvendo-se de modo íntimo e revelador com a vida, a memória e a mente do artista.