A banda Pelos tem uma história iniciada há mais de 20 anos no cenário do rock independente da cidade. A perseverança em seguir atuante por duas décadas é para poucos, principalmente neste espírito underground que sempre norteou o trabalho do grupo.
Formada em 1999 a Pelos, originalmente batizada de Pelos de Cachorro, nasceu no Aglomerado da Serra, periferia de Belo Horizonte, e tornou-se, com o reconhecimento do público, dos pares musicais e da crítica especializada um dos mais importantes nomes do rock mineiro das últimas décadas.
A explicação para isso está na discografia sólida, repleta de canções que partem do rock mas bebem de outras fontes pretas eternas como o soul, funk, jazz e o blues e nas elétricas e performáticas apresentações ao vivo do grupo e em sua trajetória de permanência e luta pelas vozes negras e periféricas, como expostas nos discos: “Memorial dos Abismos” (2008), “Olho do Mundo” (2012), e “Paraíso Perdido nos Bolsos” (2016).
Em novembro de 2022 chega o novo trabalho da banda: o álbum “Atlântico Corpo”, disco maduro e coeso que conta com a produção da banda e do músico mineiro Leonardo Marques. Gravado no estúdio Ilha do Corvo, de Marques, o disco sai depois de três singles: “Lágrimas Brancas” (que teve seu elogiado clipe dirigido por Gabriel Martins, da Filmes de Plástico, diretor do consagrado “Marte Um”), “Dela em Mim” e “Da Serra ao Bonfim”.
O trabalho é também o primeiro registro em estúdio com a atual formação da Pelos, composta por Robert Frank (voz, guitarra, piano), Kim Gomes (guitarra), Heberte Almeida (guitarra, piano e voz), Thiago Pereira (baixo) e Pablo Campos (bateria e voz).
Para a Pelos, “Atlântico Corpo” representa uma série de atravessamentos criativos, pessoais e coletivos da banda hoje. Trata-se de um trabalho onde exploram de forma ainda mais densa e profunda alguns dos temas que permearam sua trajetória: os corpos e as vozes pretas e periféricas, em sonoridades que avançam o rock e alcançam a soul music o funk, o afrobeat o blues e o jazz.
O álbum destaca ainda a participação da soul woman Michelle Oliveira (Cromossomo Africano), uma das maiores vozes da cena mineira atual.