O que pode um psicanalista na cidade? Para tatear respostas possíveis a esta pergunta, o psiquiatra, psicanalista e escritor Musso Greco lança o livro Psicanálise e Cidade (Editora Hífen, R$100), em que lê o urbano a partir de suas sobras, brechas e contradições. O lançamento acontece no dia 22/08, às 11h, na Vila 211 (Rua Professor Estêvão Pinto, 211 – Serra), com entrada gratuita.
Da cidade hipermedicada à cidade quebrada, da cidade capturada pelo mercado à cidade onde a vida pulsa, Greco percorre o espaço urbano interessado em sua articulação com o inconsciente, interrogando as possibilidades do fazer psicanalítico fora do consultório.
As respostas, porém, fogem do óbvio, segundo avalia Gilson Ianinni, psicanalista e professor da UFMG, no prefácio do livro. “Quem espera a cidade do assistencialismo, do ativismo militante ou dos coletivos identitários encontrará outra coisa: uma cidade lida como ruína, letra, resto e sintoma”, adverte.
A pichação, os outdoors, os diagnósticos, a loucura e a pobreza povoam as páginas de Psicanálise e Cidade – obra que carrega ecos de uma Belo Horizonte que extrapola o planejado, mas também de Milão e de Paris. Em tom ensaístico, o autor entremeia relatos pessoais a poesias e pesquisas, construindo uma argumentação franca, habilidosa e sensível, ao mesmo tempo atenta à segregação social e à singularidade dos sujeitos.
Ao invés disso, a publicação demonstra que o inconsciente não está isolado no consultório, mas em constante diálogo com o mundo. Experiências psicanalíticas implicadas com a vida na cidade, como o Desembola na Ideia e o Viravolta, chegam para dar o tom – e oferecer pistas para aquela pergunta que move o livro. Por meio da escuta, da interpretação e da intervenção, afinal, talvez o psicanalista possa contribuir para a invenção de modos singulares de habitar a cidade.