Promover um espaço seguro de escuta, acolhimento e fortalecimento para mulheres negras cis e trans é o propósito da roda de conversa Mulheres Negras – Violências e Relações, realizada pelo Projeto enTecer em Belo Horizonte. A atividade integra a programação do mês do Memorial Vale, dentro do Memorial Vale Itinerante, conjunto de ações que mantém vivos os programas do museu durante as obras de renovação do edifício-sede na Praça da Liberdade.
Com assessoria psicológica e jurídica, o encontro foi pensado para acolher, orientar e capacitar participantes diante das múltiplas violências que atravessam suas trajetórias. A proposta é identificar, nomear e mapear situações que podem surgir nas relações afetivas, familiares e sociais, compreendendo esse reconhecimento como ferramenta de proteção, autonomia e resistência.
Primeira roda do projeto, o encontro convida mulheres negras a participarem ativamente dessa construção coletiva, fortalecendo uma rede onde a palavra expande possibilidades e o compartilhamento se transforma em instrumento de mudança. Ao estimular a troca de experiências, o objetivo é fortalecer vínculos e ampliar redes de apoio entre mulheres negras. O evento parte do pressuposto de que falar sobre relações também é uma forma de cuidado coletivo e de enfrentamento às estruturas que naturalizam desigualdades e silenciamentos.
Nascido do compromisso com a escuta e o cuidado, o Projeto enTecer inspira-se na ideia de tecer fios, histórias e afetos para construir caminhos de resistência e transformação. A iniciativa reconhece a mulher negra em sua totalidade e potência, atravessada por opressões, mas também por saberes e estratégias de sobrevivência. Nos encontros, práticas de cuidado coletivo e reflexões sobre autocuidado dialogam com o samba, presente como tecnologia ancestral, expressão de resistência e afirmação da felicidade como ato político.