A obra "riTualê", criação cênica sobre saúde mental, ancestralidade e resistência de mulheres pretas periféricas – eu me explodir é um rito cênico afrocentrado que atravessa memória, adoecimento e cura coletiva a partir das experiências de mulheres negras periféricas e corpos dissidentes. Entre a rua e o sagrado, a obra transforma o palco em encruzilhada: um território de travessia onde o corpo lembra, treme, dança, adoece, resiste e se reinventa como ritual.
Nasce como um gesto poético-político de escuta do corpo e das memórias ancestrais inscritas nas vivências de mulheres pretas, periféricas e faveladas. A criação propõe uma travessia sensível pelas linguagens das danças urbanas periféricas, como Hip Hop Dance, Funk e Samba, articuladas à musicalidade percussiva, à oralidade e à poesia falada.
O espetáculo parte da compreensão do corpo enquanto território de memória, resistência e sobrevivência. Em cena, movimento, ritmo e palavra se encontram para refletir sobre os impactos do racismo estrutural, do patriarcado e da desigualdade social na saúde mental de mulheres negras e periféricas, especialmente moradoras de favelas.
Com criação colaborativa entre Scheylla Bacellar, a percussionista Gal Duvalle e a poeta Nívea Sabino, com direção de Michelle Sá, “riTualê” utiliza a arte como ferramenta de cuidado integral e aquilombamento coletivo. A obra dialoga com práticas ancestrais de cura e resistência presentes nas culturas afro-brasileiras, evocando a dança, a poesia, a performance, a música, a oralidade e os saberes tradicionais como tecnologias de cuidado construídas historicamente pelas comunidades negras.
Com uma estética bruta, ritualística e contemporânea, riTualê funde ancestralidade afro-brasileira, oralidade periférica e performance urbana em uma experiência cênica de forte impacto visual e emocional. A obra convoca o público para um mergulho em corpos de encruzilhada — corpos que carregam cicatrizes, mas também caminhos, encantamento e continuidade.