Uma pergunta insistente e a mesma dúvida persegue todas as personagens, a despeito de suas diferenças: o que acontece quando tudo desaparecer? Esse é o mote da peça escrita pelo jornalista, letrista e poeta Raphael Vidigal Aroeira em sua estreia na dramaturgia, cujo texto sensível e poético despertou o interesse de um elenco formado por nomes consagrados da cena mineira, tanto no teatro quanto no cinema.
Gláucia Vandeveld, Adyr Assumpção, Cláudio Dias e Camila Felix encarnam as personagens oblíquas e densas dessa travessia cênica. Não é exagero dizer que, pela primeira vez, a cena teatral mineira, tradicionalmente marcada pela atuação de grupos e coletivos, reúne, em torno de um projeto específico, uma trupe de longa e reconhecida trajetória em uma arte que depende da presença do instante vivo para existir.
“…quando tudo desaparecer…” versa sobre a angústia diante da passagem do tempo e a dor inexorável da perda, aqui revestida em beleza. Na trama, uma mãe precisa lidar com a ausência da filha, enquanto um amor que nunca se deu por inteiro debate-se com os fantasmas de tudo que poderia ter sido mas não foi.