A aclamada Companhia Nacional da Ópera de Pequim - considerada um dos pilares da tradição teatral chinesa - chega ao Brasil para a celebração do “Ano Cultural Brasil-China 2026”. A turnê brasileira irá passar por quatro capitais com dois clássicos do repertório: “A Lenda da Serpente” (Belo Horizonte e Salvador) e “As Mulheres Generais da Família Yang” (São Paulo e Brasília).
Combinando música, canto, dança, interpretação dramática, acrobacias e artes marciais, a produção impressiona por sua linguagem cênica altamente estilizada e pelo virtuosismo no movimento físico. Os intérpretes narram histórias e expressam emoções, a partir de técnicas vocais, movimentos coreográficos e os gestos simbólicos, enquanto sequências de acrobacia e combate, inspiradas nas artes marciais, acrescentam dinamismo às cenas. Uma orquestra tradicional chinesa - composta por instrumentos característicos como o erhu, instrumento de cordas, o suona, instrumento de sopro - abrilhanta ainda mais o espetáculo.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, a Ópera de Pequim — conhecida na China como Jingju — tem sua origem nas tradições teatrais desenvolvidas na China imperial e consolidadas entre os séculos XVIII e XIX.
Ao longo do tempo, o gênero tornou-se uma das formas artísticas mais representativas da cultura chinesa, preservando narrativas históricas, lendas populares e histórias clássicas da literatura do país. A estética da Ópera de Pequim destaca-se pelo uso de figurinos elaborados, maquiagem estilizada e adereços simbólicos que ajudam a definir a identidade e a posição social dos personagens. Esses elementos integram um sistema de códigos cênicos desenvolvido ao longo de gerações e são fundamentais nas produções da companhia.
Confeccionados manualmente por artesãos especializados, os figurinos apresentam cores intensas e detalhes intrincados que refletem a personalidade e o status dos personagens, enquanto adereços como espadas, leques e lenços reforçam gestos e movimentos durante as cenas, contribuindo para a atmosfera visual característica desse gênero teatral. Essa combinação de música, teatro e virtuosismo físico impressiona plateias em diferentes partes do mundo.
Em artigo publicado pelo jornal britânico The Guardian, a crítica descreveu a experiência de assistir à Ópera de Pequim como “a formidável coordenação e energia de um complicado número acrobático chinês”, observando que “há poucas coisas comparáveis a ela no Ocidente”. Já o jornal The Times destacou que “na Ópera de Pequim, o refinamento da alta arte encontra a diversão da arte popular, com movimentos estilizados, humor e ação em uma explosão de entretenimento”.