Um dos marcos da música erudita latino-americana, a “Misa Criolla”, do compositor argentino Ariel Ramírez, chega ao público em uma montagem que aproxima tradição litúrgica, ritmos populares e reflexão sobre identidade cultural. Sob direção artística e interpretação do tenor Jean William, o espetáculo propõe um diálogo sensível entre a espiritualidade da obra original e a diversidade da música brasileira.
Considerada uma das criações mais importantes da música argentina do século XX, a “Misa Criolla” revolucionou a forma da missa cantada ao fundir a estrutura sacra europeia com ritmos folclóricos sul-americanos. Cada movimento — Kyrie, Glória, Credo, Sanctus e Agnus Dei — evoca regiões e sonoridades do continente, criando uma experiência musical de forte impacto emocional e simbólico.
Na nova montagem, o programa é ampliado com obras de compositores brasileiros como Paulo Cesar Pinheiro, Gilberto Gil e Emicida, em arranjos que reforçam temas como ancestralidade, união e resistência cultural. A proposta é aproximar o repertório sacro do público contemporâneo, evidenciando pontes entre a tradição latino-americana e a canção brasileira.
À frente do projeto está o tenor Jean William, artista de trajetória internacional que já se apresentou em palcos como o Avery Fisher Hall (Lincoln Center, Nova York), o Teatro alla Scala de Milão, a Sala São Paulo e os teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Descoberto pelo maestro João Carlos Martins, o cantor ganhou projeção ao interpretar repertório lírico e popular com forte presença cênica. Em 2013, cantou para mais de três milhões de pessoas durante a visita do Papa Francisco ao Brasil.
A direção musical conta com a pianista e regente Marcia Hentschel, diretora do CORALUSP, enquanto os arranjos têm assinatura de José Antonio Almeida, vencedor do Grammy Latino, e preparação coral de Munir Sabag, pesquisador da ECA-USP. A coordenação geral e produção executiva é de Sandra Mimotto Torres, da Ampliart Difusão Cultural.
Mais do que uma apresentação de música sacra, o espetáculo se afirma como uma travessia sonora pela América do Sul — um encontro entre fé, memória e identidade que reafirma a potência da música como território de diálogo entre culturas.