Há filmes que envelhecem. E há filmes que fermentam. The Rocky Horror Picture Show, de Jim Sharman, pertence inequivocamente à segunda categoria, e o Cine Humberto Mauro sabe disso melhor do que ninguém. A obra retorna à tela na Sessão da Meia-Noite como faz periodicamente há anos, reconquistando fiéis de longa data e iniciando novos espectadores em um dos rituais mais particulares que o cinema pode proporcionar.
Lançado em 1975, o filme mistura ficção científica, horror, musical e comédia em torno de um casal que, perdido durante uma tempestade, encontra abrigo em um castelo dominado pelo excêntrico Dr. Frank-N-Furter. O que se segue é uma celebração deliberada do excesso, da teatralidade e da quebra de convenções, uma estética camp que não disfarça seu artifício, mas o transforma em manifesto. Entre canções que o público já sabe de cor e uma narrativa que desafia qualquer tentativa de classificação, o filme constrói um universo próprio, irrepetível e irresistível.
Para o público belo-horizontino, a sessão de madrugada no Cine Humberto Mauro é menos uma exibição do que uma experiência compartilhada. The Rocky Horror Picture Show é daquelas obras que ganham camadas novas justamente quando vistas coletivamente, no escuro, em horário incomum, como se a madrugada fosse parte do roteiro. Meio século após seu lançamento, o filme permanece capaz de mobilizar afetos, provocar risos e transformar uma sala de cinema em algo que se aproxima mais de uma festa do que de uma sessão comum.