As ruas da região Leste de Belo Horizonte se transformam em um cenário pulsante de ancestralidade, cultura popular e memória coletiva com a realização de mais uma edição do “Abre Caminho: Festejo Tradicional Kilombola ao Pai Benedito”. O evento, promovido pelo Kilombu Manzo Ngunzo Kaiango, ocupa o bairro Paraíso ao som de tambores e guardas tradicionais afro-mineiras. Para o público belo-horizontino, a celebração representa um momento profundo de conexão com as raízes da cultura negra brasileira, promovendo um grande espaço de convivência comunitária, acolhimento e reafirmação da presença negra na capital por meio da preservação de saberes ancestrais e da ocupação afetiva do território urbano.
O impacto cultural do festejo na cidade é chancelado por marcos institucionais históricos, já que o Kilombu Manzo Ngunzo Kaiango é reconhecido como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte e também integra o Patrimônio Cultural do Estado de Minas Gerais. Registrado oficialmente no Livro de Registro do Patrimônio Cultural da prefeitura da capital, o encontro celebra uma tradição de mais de cinco décadas. De acordo com as reflexões da liderança Makota Kidoialê, o fundamento central da comunidade e da homenagem a Pai Benedito reside no acolhimento como prática coletiva e herança ancestral, transformando a Rua São Tiago e as vias adjacentes em um ambiente onde moradores e visitantes compartilham comida, música, dança e memórias.
A programação artística e religiosa mobiliza importantes figuras e movimentos da cultura popular mineira ao longo de todo o dia. O público local pode prestigiar a abertura conduzida pelo Cortejo do Boi do Rosário, tradicional manifestação da cultura afro-mineira liderada pelo Mestre Gercino, referência cultural do bairro Concórdia, que atua ao lado do Eduka Kilombu em um trajeto que sai do território Kewa Matamba em direção ao campo do Baleião. A celebração ganha ainda mais força com a tradicional gira de capoeira comandada pelo Contra Mestre Lampião e convidados, seguida pela chegada da Guarda de Massambique de São Benedito, forte expressão do congado e das tradições do estado. O encerramento do encontro na capital fica por conta da apresentação da Mesa de Teresa, realizada pelo Instituto Undió, e da tradicional e festiva gira de samba do Kilombu.
O Festejo de Pai Benedito é um projeto realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc – Edital de Chamamento Público nº 03/2024 – Fomento BH.