O artista Paulo Penna apresenta um recorte de sua produção dos últimos quinze anos: um conjunto de obras produzidas no âmbito da gráfica, que percorre o desenho, a gravura e a fotografia. As imagens se constituem a partir da observação das especificidades de cada meio, bem como das possibilidades que se abrem pelas operações e justaposições de figuras produzidas em técnicas distintas, explorando relações de multiplicação e variação inerentes à linguagem gráfica.
As matrizes das xilogravuras e das gravuras em metal, assim como os arquivos fotográficos, geram figuras que se cruzam e se hibridizam, configurando constelações de imagens em constante metamorfose. Delas emerge um imaginário singular que, como observa o professor Fernando Amed, "é sobre o ponto de vista do observador distante do que antes consistia como o seu lugar, que se faz a obra como um percurso, do qual não se supõe o início e se aquieta com um fim, posto que se trata de exposição. E entre ramificações e biomorfismos, o trabalho artístico de Paulo Penna manifesta a fina sensibilidade da opção pela interposição de linguagens".
Na constituição deste imaginário, figuras provenientes de diferentes referenciais se misturam e se permeiam por meio de operações de transformação gráfica. Barcos, corpos e árvores reaparecem, modificados, deslocados e recombinados em diferentes meios. Constelações e metamorfoses que se dão temporalmente, por sucessivos processos de transformação da matriz e da impressão, em (re)gravações e (re)impressões, e espacialmente, na articulação entre impressões de matrizes de madeira e metal, arquivos fotográficos e desenhos e, por fim, na maneira como essas obras se relacionam e se distribuem no espaço expositivo.