Inspirado no livro de poemas/correspondências entre Ana Martins Marques e Eduardo Jorge, Como se fosse a casa: uma correspondência, a exposição apresentada é um convite para uma visita, um café às cinco da tarde de uma terça-feira qualquer.
Nesse recorte do acervo artístico do Palácio das Artes, que celebra os seus 55 anos, vê-se um diálogo entre a casa e sua capacidade poética: quantos metros cúbicos de sonhos são necessários para edificá-la? Quantos incômodos cabem nela? Os cupins sabem guardar segredos? Casa é palco do drama, da comédia, da vida humana, das intimidades que estabelecemos com os espaços que habitamos.
Há, ainda, aquilo que resta de uma casa, podendo criar raízes e tornar-se fortaleza, ou dissipar-se ao primeiro vento. Uma construção que demora anos e se dissipa súbita e inevitavelmente, e ainda assim não é porque ela pode cair, que deixaremos de erguê-la.
O Palácio das Artes é, assim, uma casa para a cultura de Minas Gerais: um espaço que cuida, ensina, abriga e possibilita experiências e intimidades próprias de um lar. Tornar pública e circular uma coleção é, também, um convite para que outros possam abrigar-se, onde gatos roçam as pernas no caminho até a cozinha; onde a sala de estar é encontro de afetos; onde o quintal é a cidade.