Desde o surgimento da fotografia, no século XIX, a imagem tornou-se uma importante forma de informar o mundo. O daguerreótipo, ponto de partida dessa longa trajetória, inaugurou o desejo humano de capturar o instante, preservá-lo, compartilhá-lo, transformá-la em dado. A fotografia nasce, portanto, entre a memória e a notícia: registra o que aconteceu, transforma o acontecimento em documento e o devolve à sociedade como testemunho.
A exposição Aconteceu, virou manchete! parte dessa provocação: o que acontece quando a imagem deixa de ser apenas registro e passa a construir a própria história de uma instituição? Reunindo fotografias do acervo do Palácio das Artes, a mostra percorre diferentes momentos de sua trajetória e revela não apenas eventos artísticos, mas nas entrelinhas os afetos, as tensões e as transformações que moldaram a relação entre o Palácio e a cidade de Belo Horizonte.
As imagens expostas atravessam décadas de programação artística: shows, óperas, espetáculos de dança e teatro, sessões de cinema, exposições de artes visuais, bastidores, ensaios, artistas e público. Ao lado desses momentos de celebração, surgem também fotografias da reforma do edifício, do incêndio no Grande Teatro, cartazes da programação e da presença constante da população ocupando os espaços da instituição.
A mostra convida a pensar a fotografia como performance. O ato de fotografar é uma ação no mundo; envolve presença, escolha, aproximação, risco e interpretação, ao mesmo tempo o objeto fotografado é a própria performance artística: o gesto do bailarino, a voz da cantora, a cena teatral, o instante irrepetível do espetáculo, a fotografia reverbera, permitindo que o instante continue a existir na memória coletiva. Destacamos a importância dos profissionais de fotografia que já passaram e registraram desenhado à luz seus olhares e recortes desses espaços, em especial para o fotógrafo Paulo Lacerda que há mais de três décadas produz, preserva e divulga grande parte da memória desse acervo fotográfico de tamanha importância.