O tempo é uma oportunidade: o instante em que podemos nos desviar das previsões e criar coreografias desviantes e imaginativas. Sem ser posse, é partilha que nos orienta coletivamente na direção de horizontes que se anunciam e nos permitem ultrapassar a toxicidade e a insuficiência das predições catastróficas do presente.
A arte e a experiência cultural aparecem, então, como lugares onde pressentimos o que ainda não sabemos dizer e onde o mundo deixa ver possibilidades que ainda não se realizaram.
No ano em que a Casa Fiat de Cultura e o Instituto Inhotim celebram 20 anos de atuação convidamos João Paulo Andrade, gerente de Educação do Instituto Inhotim, para uma palestra sobre como instituições museais e suas ofertas culturais podem nos lembrar que o tempo, mais do que um recurso, é um recuo: uma superfície sensível onde nos encontramos e compartilhamos inquietações sobre o mundo e sobre nós mesmos, abrindo possibilidades de reinvenção e de repactuação.