Um dia para ouvir, aprender, compartilhar e celebrar a presença, a diversidade e a contemporaneidade dos povos indígenas brasileiros. Essa é a proposta do evento “Nhe’ẽ – Vozes Originárias”, que será realizado neste sábado (7), no Centro Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado (CRCP). A programação é gratuita e aberta ao público em geral – classificação livre –, reunindo diferentes formas de expressão e transmissão de saberes indígenas, difundindo histórias, experiências e modos de fazer desses povos, bem como suas formas de ocupar e compreender o território.
O evento terá início às 10h, com uma feira de artigos indígenas que durante todo o dia irá apresentar ao público diferentes produções e saberes, valorizando o trabalho e a criação de artistas e artesãos dos povos originários. Das 11h às 13h, a atividade “Conversa ao Pé do Fogão” trará a cozinheira indígena Núbia Santos de Souza, que é da linhagem dos Kamakã Mongoió, etnia que tem origem no sul da Bahia e compõe o povo Pataxó Hã-hã-hãe. Reconhecendo a culinária como expressão de memória, identidade e resistência, Núbia vai preparar um prato tradicional de sua cultura e compartilhar conhecimentos de sua comunidade, que mantém em Brumadinho uma aldeia ativa, com ações de recuperação ambiental e valorização dos saberes ancestrais, reafirmando a própria relação com a terra e a natureza.
Dando sequência à programação, acontece o “Sarau da Cultura Popular”, que convida o público a ocupar o palco aberto com poesias, músicas, cânticos e outras manifestações. Às 16h, para encerrar o encontro, sobe ao palco o “Suraras do Tapajós”, grupo musical criado em 2018, em Alter do Chão, no Pará, reunindo mulheres indígenas do povo Tapajós. Elas vêm a cidade compartilhar a força das expressões musicais de sua cultura e colocar em evidência a presença feminina: o carimbó, ritmo que tem destaque no repertório do grupo, tradicionalmente é executado por homens, e o Suraras do Tapajós é considerado o primeiro conjunto de carimbó do Brasil composto somente por indígenas mulheres. Com suas músicas, o grupo entoa mensagens dos povos da floresta, inclusive recorrendo a composições em nheengatu, língua geral falada pelos povos do Baixo Tapajós.